Restaurante As Três Irmãs

Locais, Restaurantes

Estabelecimento familiar, gerido pelas três irmãs que lhe dão o nome, situado na Estrada Nacional 120, em Grândola, o restaurante As Três Irmãs é paragem obrigatória para quem evita autoestradas e faz o caminho Lisboa-Algarve, ou vice-versa, por caminhos que não pesam tanto na carteira. Uma boa forma de aproveitar o dinheiro poupado nas portagens é gastá-lo numa das famosas bifanas confecionadas pelo trio de manas. Quem é vegetariano, ou simplesmente não gosta de um papo-seco com uma febra lá dentro, deve parar na mesma pois uma visita a este restaurante não vale unicamente pela necessidade de saciar a fome, é muito mais do que isso, é uma experiência sem igual que perdurará na memória de quem por lá passar.

O asseio está um pouco aquém do que a famigerada ASAE exige, mas isso não é razão suficiente para que não esteja à pinha, com direito a fila de espera e tudo. E é nessa fila de espera que somos brindados com a cereja no topo do bolo, a irmã que grelha as bifanas. Uma senhora de metro e meio por metro e meio, cujas duas mãos são utilizadas de forma primorosa para manusear a bifana com uma e a tesoura multifunções com a outra. Não tivesse fundado este restaurante com as irmãs, e o mais certo seria que o seu destino a levasse a um qualquer circo Chen ou Hugo Cardinali. A forma como atira as bifanas para a grelha e como utiliza a tesoura para cortar o pão e as pontas da carne que sobressaem da carcaça, virar as febras e, o melhor de tudo, levar restos de carne à boca, parecem saídos de um filme de Emir Kusturica.

Serão as melhores bifanas de Portugal? Não sei. Para o afirmar teria que provar bifanas feitas por este país fora (ora aí está um desafio interessante). A verdade é que são boas e que justificam a fama que as “Três Irmãs” têm. Quanto ao local em si, é uma pérola deste nosso país à beira-mar plantado.

Maus I: My Father Bleeds History

Banda-desenhada, Ficção, Livros

Para quem olha com MAUS olhos para tudo o que sejam bandas desenhadas, pensando que são uma forma de arte menor, aconselho este romance gráfico de Art Spiegelman. Não garanto que fiquem fãs, mas certamente mudarão a opinião (muitas vezes injusta) que têm acerca da 9ª arte.

Maus conta-nos a história de vida, durante a segunda guerra mundial, do pai do autor, um judeu polaco que conseguiu sobreviver ao holocausto. Para além do rico detalhe com que é contanto, Maus tem outra particularidade interessante, as personagens são representadas por animais. Os judeus são ratos, os polacos são porcos e os alemães são gatos.

A obra está divida em dois capítulos. Ainda só li o primeiro, mas dentro em breve começarei a segunda parte.

Homeland S01

Séries, Sétima Arte

Homeland foi a minha série das férias de verão. Em pouco mais de duas semanas vi as doze horas da primeira temporada e fiquei ávido por mais. Apesar de não ter o ritmo alucinante de 24 (é escrita pelos mesmo argumentistas), as reviravoltas e o suspense criados são idênticos.

Os alicerces da história são todos assentes numa questão: o prisioneiro de guerra, tornado herói de uma nação, virou-se ou não para o lado dos terroristas? Aliando esta dúvida constante a um argumento inteligente, em que até as personagens secundárias e a suas histórias estão construídas de forma tridimensional, e juntando um conjunto de desempenhos admiráveis, o resultado final é uma série sólida e que vale pena cada hora despendida.

A estreia da segunda temporada está apontada para o fim do mês de Setembro. É uma das séries mais aguardadas deste ano, mas resta saber se manterá a qualidade que demonstrou na primeira temporada. É que parte do seu encanto era saber se o seu protagonista se tinha ou não convertido ao terrorismo. Com essa resposta dada, será que o interesse se mantém?

Restless

Cinema, Sétima Arte

Restless é um filme sobre a vida, sobre amor e, principalmente, sobre a forma como lidamos com a morte. O que une os dois jovens protagonistas é a forma incontornável como a morte está presente nas suas vidas. Ele perdeu os pais num acidente e, depois de estar dois meses em coma, acorda para uma realidade com qual não consegue lidar. Ela tem cancro e descobre que não lhe restam mais do que três meses de vida.

Conhecem-se num funeral de um amigo dela que padecia da mesma doença. Ele desistiu da escola e, completamente perdido, vai a funeral atrás de funeral com o intuito de compreender melhor a morte, ou talvez apenas para estar num local onde não é único a sofrer com a morte de alguém que ama.

Os dois são completamente diferentes mas acabam por criar uma forte ligação e a ajudar-se mutuamente a lidar com algo que não vai mudar.

Gus Van Sant não faz um filme muito profundo e meditativo (o que é pena) mas consegue cativar-nos com a ternura e inocência das suas personagens, principalmente a interpretada por Mia Wasikowska, que está a crescer de filme para filme.

Praia de Vale Figueiras

Ar Livre, Praias

Aljezur é terra conhecida pelas suas belas praias. Dada a proximidade com a minha terra natal – Monchique – sempre foi um local que visitei com frequência. Praias como a Amoreira e a Arrifana foram visitadas por mim bastantes vezes na altura em que as férias duravam três longos meses. A Praia de Vale Figueiras pode não ser das mais conhecidas (confesso que nunca lá tinha ido) mas não fica em nada a dever às suas conterrâneas irmãs. A costa vicentina é um mundo à espera de ser descoberto. E é sempre bom constatar que num algarve ocupado pelo turismo de massas ainda existem sítios praticamente intocados.

I Wish (Kiseki)

Cinema, Sétima Arte


Houve algo em I Wish que automaticamente me remeteu para o último filme de Wes Anderson. São ambos sobre a infância e, mais do que isso, sobre como as crianças gerem questões que fazem parte do mundo dito adulto. Tanto em Moonrise Kingdom como em I Wish parecem ser as crianças quem assume a responsabilidade e o equilíbrio que seria de esperar dos adultos. Mas as semelhanças ficam por aqui, pois I Wish, apesar de mais inocente, é mais realista que Moonrise Kingdom, que é um exercício de estilo de Anderson.

A história, apesar de um tanto ou quanto dramática (separação de um casal e dos filhos pois cada um fica com um progenitor), acaba por ser contada de uma forma alegre e refletiva, acabando por nos fazer ver que na nossa infância havia tanta coisa que não compreendíamos no mundo. Talvez por isso a felicidade fosse algo tão fácil de atingir nessa altura…