Maus I: My Father Bleeds History

Banda-desenhada, Ficção, Livros

Para quem olha com MAUS olhos para tudo o que sejam bandas desenhadas, pensando que são uma forma de arte menor, aconselho este romance gráfico de Art Spiegelman. Não garanto que fiquem fãs, mas certamente mudarão a opinião (muitas vezes injusta) que têm acerca da 9ª arte.

Maus conta-nos a história de vida, durante a segunda guerra mundial, do pai do autor, um judeu polaco que conseguiu sobreviver ao holocausto. Para além do rico detalhe com que é contanto, Maus tem outra particularidade interessante, as personagens são representadas por animais. Os judeus são ratos, os polacos são porcos e os alemães são gatos.

A obra está divida em dois capítulos. Ainda só li o primeiro, mas dentro em breve começarei a segunda parte.

4 thoughts on “Maus I: My Father Bleeds History

  1. Curiosa quanto à presença, na narrativa, de elementos característicos das espécies animais escolhidas para retratar os 3 povos.

    É evidente? É subtil?
    É cliché?

    Depois dizes qualquer coisa a respeito?

  2. Ora ai está uma boa questão.
    Acho interessante a personificação das personagens, mas considero que é uma faca de dois bicos.
    Existem algumas características das espécies que servem para acentuar as diferenças entre alemães, judeus e polacos. Por exemplo, no caso dos polacos, o facto de compactuarem em algumas situações com os nazis fazem com que, aos olhos do autor, sejam impuros e daí serem personificados como porcos.
    Não considero que a utilização dos animais escolhidos seja demasiado óbvia ou cliché, mas consegues perceber a escolha.
    Mas mais importante do que isso é a seguinte questão: até que ponto não é racista esta escolha? É que só está a acentuar as diferenças entre judeus e o resto, e ao mesmo tempo está a colocar no mesmo saco todos os polacos e alemães.

  3. Em abstracto:

    “rato”
    “gato”
    “porco”

    que representação mental? O que é que evoca?

    No meu caso, imediatamente após ler o teu post, e a respeito da escolha das espécies animais, achei “sacanice” do autor. De seguida pensei “aposto que é alemão”.😀

    Por isso perguntei sobre a natureza da utilização feita das espécies.

    “Até que ponto não é racista”, quanto a este aspecto, para mim, tudo se joga na forma como o autor (em termos de conteúdo e forma – recursos estilísticos -) desenvolve a história, a par desse colosso (sobretudo neste contexto – quadradinhos -) que é a imagem.

    No imediato e, mais uma vez “em abstrato” (aqui = sem ter lido), sim, racista. Os gatos comem os ratos (6 milhões, they say); os ratos têm a mania que são espertos, mas andam nos esgotos; os gatos são altivos e independentes. Os porcos… bom, os porcos, comem, defecam (sou tão elegantezinha…!) e servem de alimento a outros.

    Qual dos 3 animais é o “mais bonitinho”?

    O tipo ganhou um Pulitzer por alguma razão, certamente que foge ao que digo no último parágrafo (espero eu). O “como” (ainda que assumindo que a minha representação mental das espécies não tem de ser a do autor) é que será o que (em parte, e sem desprimor de: história a contar+dimensão gráfica) lhe confere o estatuto de “obra de arte” (genericamente falando).

    [só um aparte, o cliché a que me referia, era relativo ao uso das características das espécies, não quanto à escolha das espécies para representar os povos]

    1. “Neste contexto – quadradinhos – é um, claríssimo, efeito do excesso de chocolate, que eu, como todos sabemos, não ingiro álcool. -.-

      Romance gráfico, obviamente. [caramba!]

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