To Rome With Love

Cinema, Sétima Arte

Tenho que começar por colocar as cartas na mesa. Este foi o filme de Woody Allen que menos gostei. Vi filmes seus de todas as décadas, antigos ou recentes, mais cómicos ou mais dramáticos, uns que adorei, uns que apenas gostei e outros que foram um tanto ou quanto indiferentes, mas nunca tinha desejado tanto que um filme seu acabasse.

E não digo isto de ânimo leve. Sou seu fã. Reconheço o seu talento, genialidade e gosto pela sétima arte. Aliás, digo mais, admito que até neste filme consigo encontrar coisas de que gosto, certas imagens de marca que tão bem caracterizam o seu trabalho. As personagens egocêntricas e neuróticas, a forma como filma a arquitetura (não só de edifícios, mas também de relações) das cidades onde a ação decorre e a quebra da quarta barreira (1), são apenas alguns exemplos dessas imagens de marca.

A questão é que podemos ter ingredientes de qualidade inegável, mas se não os cozinharmos de forma correta, corremos o risco de criar um prato desmazelado e pouco interessante, sem ligação entre os produtos que temos. E é isso que acontece aqui. Um conjunto de histórias com potencial e de personagens peculiares mas que ao serem misturadas e cozinhadas num banho-maria de clichés resultam numa obra menor, de alguém que nos habituou à nata da nata.

PS: É sabido que Woody Allen anda a filmar pela Europa (Londres, Barcelona, Paris e agora Roma) pois, como disse na sua última entrevista, o financiamento é conseguido com maior facilidade por cá. Não o censuro! Mas isto muitas vezes é como no futebol, jogar em casa é uma vantagem. Nova Iorque é casa de Allen. E é aí que consegue explanar todo o seu futebol.

(1Fourth Wall

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Don’t Worry, Drive On: Fossil Fuels & Fracking Lies

Energia e Alterações Climáticas, Sétima Arte, Short Motion, Sustentabilidade

Este pequeno vídeo, financiado pelo instituto Post Carbon, demonstra de forma simples como a dependência de combustíveis fósseis, e o facto de estes estarem a acabar (ler Peak Oil: A vida depois do Petróleo), afeta a economia de forma catastrófica.

Sendo esta dependência uma das causas da recessão em que nos encontramos e a origem de uma série de problemas ambientais (poluição, aquecimento global, degelo dos polos, subida do nível do mar, alterações climáticas e perda de biodiversidade) é imperativo que exista uma mudança. Teremos que reduzir a quantidade de energia que usamos e apostar cada vez mais em fontes de energia alternativas. Sem estas mudanças, não há programa político ou económico que nos valha nas próximas décadas.

Uma advertência que também está presente no vídeo, é o uso da Fracturação Hidráulica, uma técnica menos ortodoxa para obter combustíveis fosseis. Apesar de já contar com alguns anos, está a ser cada vez mais usada, um pouco por todo o mundo, devido à escassez de petróleo. As consequências ambientais são enormes, principalmente tendo em conta a pouca eficiência do processo. Para saberem mais sobre o assunto podem ler o artigo Hydraulic Fracturing 101 e/ou ver o filme GasLand.

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Reasonable Doubt

Cinequote, Sétima Arte

Henry Fonda, o Jurado #8, em 12 Angry Men

Juror #8: It’s always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don’t really know what the truth is. I don’t suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that the defendant is innocent, but we’re just gambling on probabilities – we may be wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don’t know. Nobody really can. But we have a reasonable doubt, and that’s something that’s very valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it’s SURE. We nine can’t understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us.

Reasonable Doubt
“The level of certainty a juror must have to find a defendant guilty of a crime. A real doubt, based upon reason and common sense after careful and impartial consideration of all the evidence, or lack of evidence, in a case.
Proof beyond a reasonable doubt, therefore, is proof of such a convincing character that you would be willing to rely and act upon it without hesitation in the most important of your own affairs. However, it does not mean an absolute certainty.”
Lectric Law Library

Mumford & Sons | I Will Wait

Música, Músicas

Depois do magnífico primeiro álbum, as expectativas para o novo trabalho dos Mumford & Sons são enormes. Apesar de já ter saído há alguns dias (21 de Setembro), confesso que o meu único contacto com Babel foi esta I Will Wait, que me parece estar muito na linha do que foi feito anteriormente. Esperemos que Babel não seja como a torre, cuja ambição em chegar ao céu foi tanta que acabou por destrui-la (eu sei, eu sei, o trocadilho era totalmente dispensável).

Sharon Van Etten | Serpents

Música, Músicas

É a conjuntura, estúpido!
Gostaria muito de estar presente no Lux, hoje à noite, para o concerto de Sharon Van Etten. Aliás, há um conjunto vasto de eventos musicais em que gostaria de estar presente, mas por vezes temos que fazer escolhas e eleger apenas os mais prioritários. Como tal, um concerto da musicalmente introspetiva Nova-iorquina terá que ficar para uma próxima oportunidade.

O Estado da Coisas

Sustentabilidade

Imagem: Bitaites


Não é minha intenção discutir política no Polaroid Journal, mas a verdade é que este é um blogue que tem como objetivo ser uma espécie de diário, onde vou partilhando um conjunto de pensamentos sobre coisas de que gosto. Tendo isso em conta, o que vou escrever a seguir faz todo o sentido no âmbito deste espaço.

Quem passa por cá, sabe que adoro cinema, música, livros, a natureza, entre outras coisas mais ou menos evidentes no que tenho escrito. Nunca falei disso aqui, mas amo o meu país. Gosto da luz, da temperatura amena, do mar, das montanhas, do campo e das cidades, dos costumes e de muitas das tradições. Amo a minha terra e, grande parte, das pessoas que por cá andam. Nasci cá e por cá conto morrer. Por todas estas razões, é com grande tristeza que assisto à destruição deste país e ao facto de cada vez ser mais difícil viver cá e desfrutar deste conjunto imenso de coisas boas que temos ao nosso dispor.

Considero-me uma pessoa minimamente interessada por tudo o que me rodeia. Não julgo que tenha vivido alienado do que se vem passando nos últimos anos, e com últimos anos quero dizer, desde que me lembro de existir. Com o que tenho experienciado, lido e discutido, chego a algumas conclusões (que, felizmente, cada vez são partilhadas por mais pessoas):
– Enquanto formos governados por pessoas que só pensam governar-se a si e aos seus associados, não iremos a lado nenhum como Estado;
– Enquanto deixarmos passar impunes, crimes que colocam um país em estado de emergência, não iremos a lado nenhum como Nação;
– Enquanto aceitarmos passivamente tudo o que nos tentam impingir, não iremos a lado nenhum como Cidadãos;
– Enquanto permitirmos o assassínio do estado social, numa época em que este é indispensável, não iremos a lado nenhum como Seres Humanos.

Não me vou debruçar sobre temas quentes como a taxa social única, a subida de impostos, da energia ou da água, pagamento de divida externa, continuidade na UE e no euro, pois não sou especialista em nenhuma destas áreas e o que poderia dizer não seria nada que não tenha já sido dito. Mas julgo que enquanto andarmos a tapar o sol com a peneira, e não olharmos para a raiz de todos os problemas que temos – a falta de valores e princípios na nossa sociedade – não conseguiremos inverter o rumo dos acontecimentos.

Diz-se que a oportunidade faz o ladrão. Esta crise é a oportunidade que neoliberais ou, como li este fim-de-semana, a extrema-direita económica ansiava para finalmente mudar o estado das coisas. Os dados estão lançados e, ou entramos no jogo, participando e manifestando a nossa opinião, ou corremos sérios riscos de o perder de forma catastrófica.

PS: Um amigo partilhou hoje esta entrevista. É um bom exemplo de que existem alternativas. Sei que na situação em que estamos não existem saídas fáceis, mas não deveriam ser colocadas em cima da mesa todas as opções disponíveis?

The Tallest Man On Earth | Little Brother

Música, Músicas

No passado Sábado, às 14h49, o equinócio marcou o início de mais um Outono. Chuva, vento e trovoada foram constantes por todo o país neste começo de estação, um acontecimento raro nos últimos anos, em que o verão se estendeu até meados de Outubro.
As temperaturas começarão a baixar, o vento soprará mais forte, as folhas cairão e o ambiente acolhedor das nossas casas tornar-se-á, a cada dia que passa, mais tentador. E que melhor companhia poderemos desejar do que um bom livro e a música melancólica e serena de The Tallest Man on Earth.