Pride of Baghdad

Banda-desenhada, Livros

Ao que parece, agora ando numa de ler romances gráficos com personagens antropomórficas. Primeiro Maus, agora Pride of Baghdad (POF). Para além dos animais falarem, outra coisa que ambas as obras têm em comum é o facto de decorrerem durante a guerra. Em Maus tínhamos a Segunda Guerra Mundial, em Pride of Baghdad temos a invasão do Iraque.

A ação começa no jardim zoológico de Baghdad, os leões conspiram com outros animais para fugirem à opressão das paredes do zoo e dos guardas, mas ninguém confia nos leões, são predadores, e todos temem que sigam o seu instinto em vez da sua palavra. Mas uma oportunidade surge, o Iraque é invadido pelos americanos e, num ataque aéreo, uma bomba cai nas paredes do zoológico, deixando o caminho para a liberdade aberto à conquista. A partir daqui os quatro leões abrem passagem por uma cidade em ruinas, à procura do seu lugar no mundo, um mundo que não entendem pois tudo o que conheciam eram as quatro paredes que os rodeavam e a comida fácil dada pela mão responsável pelo seu cativeiro.

Aqui, ao contrário de Maus, os animais não representam humanos. Vivem num mundo em que os humanos também habitam. Portanto a metáfora humano-animal, relacionando as características de cada animal com o tipo de humano que pretende representar, não faz tanto sentido em POF. Mas isso não quer dizer que os animais não sirvam de símbolos para representar formas diferentes de pensar. São quatro leões e cada um deles representa uma forma diferente de encarar a realidade. A cria representa a ingenuidade e o otimismo perante a mudança. A leoa mais velha, a resistência à mudança. Está reticente quanto a deixar o zoo, pois julga que tudo estava bem como estava, quando estavam protegidos por quatro paredes e tinham comida todos os dias. A leoa mais nova representa o idealismo, luta como todas as suas forças pelo que acha que tem direito, a liberdade, mesmo quando vê que afinal a liberdade tem consequências indesejáveis e sangrentas. Depois há o leão adulto, grande e orgulhoso, mas pessimista e apático, deambula entre a opinião das leoas sem nunca saber muito bem o que quer.

Estas representações simbolizam algumas opiniões relativamente à queda do regime. Sabemos que o Iraque é um Melting Pod de etnias, crenças e opiniões e que a passagem de um regime ditatorial para a democracia levará, provavelmente, anos a acontecer. Isto é, se acontecer algum dia.

Brian K. Vaughan escreveu uma parábola interessante sobre a invasão do Iraque, ilustrada de forma excelente por Niko Henrichon e, curiosamente, baseada em factos reais. Durante a invasão os soldados norte-americanos encontraram quatro leões a deambular pela cidade. Infelizmente, os leões atacaram e foram abatidos pelos americanos. Apesar de real, este acontecimento não deixa de ser, de certa forma, simbólico…

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