Une Vie Meilleure

Cinema, Sétima Arte

O mundo não atravessa o melhor momento no que diz respeito à sua situação socioeconómica. A crise instalou-se e não conhece fronteiras. Nas últimas décadas, seguimos um caminho que nada teve de sustentável. Agora estamos a pagar a fatura das más decisões tomadas no passado.

Acreditamos que vivíamos num mundo onde tudo era possível. Nada nos era negado. Toda a gente acreditou que bastava querer para ter. Férias no estrangeiro? Um bom carro? Casa de sonho? Toneladas de roupa de marca? E dinheiro para tudo? Não havia! Mas existiu sempre o crédito. Não se pode desresponsabilizar quem quis ter mais do que podia, mas a verdade é que os principais culpados foram quem, de forma irresponsável e gananciosa, passou créditos de alto risco.

O cinema teve a sua cota parte de responsabilidade nessa forma de pensar, com os seus “feel good movies” americanos (principalmente, mas não só) onde tudo acabava bem. Eram exemplos de um mundo onde todos os sonhos são possíveis, desde que se lutasse e tivesse uma boa ideia. Este filme é a prova de que isso nem sempre é verdade. Pode existir perseverança, criatividade e até mesmo amor, mas se não existir capital, todos estes ingredientes são desfeitos na grande máquina devastadora que é o sistema financeiro.

Yann e Nadia são um casal jovem e ambicioso. Ele é cozinheiro, ela é empregada de mesa num restaurante em Paris. Conhecem-se e envolvem-se na primeira vez que saem juntos. Yann é um sonhador, está ávido por um futuro melhor mas trabalha numa cantina e não consegue encontrar o emprego que procura. Então, numa tarde ociosa de domingo, encontra um local que lhe parece a resposta a todas as suas preces. Uma casa abandonada, à beira de um rio, com um potencial enorme para um restaurante. O sonho começa, mas precisa de algo imprescindível: dinheiro. Entram os bancos, o financiamento, os empréstimos pessoais sucessivos e em menos de meia hora de filme passamos de um casal que tinha tudo para começar uma vida em grande para um casal em apuros, tapado de dívidas e quase sem dinheiro para comer. A partir daqui as coisas só pioram, pois a vida é, na maioria das vezes, madrasta. Pedem ajuda a amigos, colegas de trabalho, tentam instituições mas ninguém lhes dá a mão numa altura tão difícil.

Quem vai atrás de um filme cheio de esperança e amor (pode existir esse erro devido ao nome e poster do filme) certamente irá ficar dececionado. Este é um filme que apesar de pintar um quadro bastante negro do mundo, é bastante realista na forma como o faz. As personagens que nele habitam são autênticas e tem problemas comuns na sociedade de hoje. É um filme fruto dos tempos que correm e vale a pena vê-lo por essa razão.

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