Breaking Bad S02

Séries, Sétima Arte

Um dos grandes trunfos de Breaking Bad é a forma como a história se vai desenrolando de forma lenta e pautada, com tempo para desenvolver personagens e várias linhas narrativas, e de repente explode em momentos de tensão e ação que nos deixam completamente atordoados e sedentos por mais. Esta segunda temporada, talvez por ter mais episódios que a primeira, consegue gerir este trunfo de forma muito mais sólida, fazendo-nos sentir mais profundamente as dificuldades e dilemas morais que vão surgindo na vida de Walter White.

No primeiro episódio começamos exatamente onde a primeira temporada nos tinha deixado. Walter e Jesse, levados pela sua inexperiência, meteram-se com as pessoas erradas e agora tem que arranjar forma de sair da situação perigosa em que se meteram.

Se na primeira temporada assistimos à passagem de Walter de pai de família e professor de liceu a “cozinheiro” de metanfetaminas, na segunda vemos o professor de química a ganhar calo no mundo da droga e a construir reputação para o seu alter-ego Heisenberg. O homem honesto e pacato está a dar lugar a alguém completamente diferente, uma pessoa calculista, desonesta e implacável. Mas esta passagem não é feita de forma linear e tranquila. Walter não passa de um extremo ao outro sem razão, vai reagindo às situações com que se depara. Situações essas, que deixam nele marcas que não poderiam levar senão a uma metamorfose da sua personalidade.

Num dos episódios Walter fica obcecado com o melhoramento da sua casa, que está a ficar podre e com fungos nalgumas zonas. Esta é, na minha opinião, uma metáfora para o que está a acontecer com o próprio Walter. As raízes do seu ser estão a ser contaminadas, a apodrecer. Esta é outra das razões que me faz gostar tanto desta série. Está repleta de simbolismo. Outro exemplo, quando Jesse espera por um dos seus dealers, vê um inseto e brinca com ele com o pé. É claro que o inseto lhe causa repugnância, mas acaba por não fazer nada. Quando o dealer chega, olha para o inseto e esmaga-o sem hesitar. O dealer representa a implacabilidade do mundo em que Jesse está inserido, e a situação o facto de não estar minimamente preparado o enfrentar. Este simbolismo é bastante enriquecedor e pode ser visto em situações deste género, mas também em elementos não diegéticos, como a montagem, a banda-sonora e a encenação.

Com um fim estrambólico e, muito provavelmente, mais simbólico do que importante para a evolução da narrativa, ficamos com muitas questões pendentes para a próxima temporada. Como lidará Walter White com a sua nova situação familiar? Que papel representará Jesse na ascensão de White no mundo da droga? Será esta ascensão tranquila ou existirá competição e, consequentemente, consequências? A resposta a esta e a muitas outras perguntas deverá encontrar-se na terceira temporada, que começarei a ver assim que possível, pois é oficial: estou VICIADO e Vince Gilligan, o cozinheiro de Breaking Bad, é o responsável.

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