O Estado da Coisas

Sustentabilidade

Imagem: Bitaites


Não é minha intenção discutir política no Polaroid Journal, mas a verdade é que este é um blogue que tem como objetivo ser uma espécie de diário, onde vou partilhando um conjunto de pensamentos sobre coisas de que gosto. Tendo isso em conta, o que vou escrever a seguir faz todo o sentido no âmbito deste espaço.

Quem passa por cá, sabe que adoro cinema, música, livros, a natureza, entre outras coisas mais ou menos evidentes no que tenho escrito. Nunca falei disso aqui, mas amo o meu país. Gosto da luz, da temperatura amena, do mar, das montanhas, do campo e das cidades, dos costumes e de muitas das tradições. Amo a minha terra e, grande parte, das pessoas que por cá andam. Nasci cá e por cá conto morrer. Por todas estas razões, é com grande tristeza que assisto à destruição deste país e ao facto de cada vez ser mais difícil viver cá e desfrutar deste conjunto imenso de coisas boas que temos ao nosso dispor.

Considero-me uma pessoa minimamente interessada por tudo o que me rodeia. Não julgo que tenha vivido alienado do que se vem passando nos últimos anos, e com últimos anos quero dizer, desde que me lembro de existir. Com o que tenho experienciado, lido e discutido, chego a algumas conclusões (que, felizmente, cada vez são partilhadas por mais pessoas):
– Enquanto formos governados por pessoas que só pensam governar-se a si e aos seus associados, não iremos a lado nenhum como Estado;
– Enquanto deixarmos passar impunes, crimes que colocam um país em estado de emergência, não iremos a lado nenhum como Nação;
– Enquanto aceitarmos passivamente tudo o que nos tentam impingir, não iremos a lado nenhum como Cidadãos;
– Enquanto permitirmos o assassínio do estado social, numa época em que este é indispensável, não iremos a lado nenhum como Seres Humanos.

Não me vou debruçar sobre temas quentes como a taxa social única, a subida de impostos, da energia ou da água, pagamento de divida externa, continuidade na UE e no euro, pois não sou especialista em nenhuma destas áreas e o que poderia dizer não seria nada que não tenha já sido dito. Mas julgo que enquanto andarmos a tapar o sol com a peneira, e não olharmos para a raiz de todos os problemas que temos – a falta de valores e princípios na nossa sociedade – não conseguiremos inverter o rumo dos acontecimentos.

Diz-se que a oportunidade faz o ladrão. Esta crise é a oportunidade que neoliberais ou, como li este fim-de-semana, a extrema-direita económica ansiava para finalmente mudar o estado das coisas. Os dados estão lançados e, ou entramos no jogo, participando e manifestando a nossa opinião, ou corremos sérios riscos de o perder de forma catastrófica.

PS: Um amigo partilhou hoje esta entrevista. É um bom exemplo de que existem alternativas. Sei que na situação em que estamos não existem saídas fáceis, mas não deveriam ser colocadas em cima da mesa todas as opções disponíveis?

2 thoughts on “O Estado da Coisas

  1. No olho do touro!

    Acrescentaria, apenas:

    Enquanto aceitarmos a caridade enquanto fim e não enquanto mal, infelizmente, necessário, deixaremos que a solidariedade, a justiça e a igualdade sejam sonhos guardados no armário da humanidade.

    Este tipo de textos e posições só nos enriquecem, Luís. Não te prives de dar a tua voz desassombrada à confraria dos que não aceitam o estado a que chegamos como uma inevitabilidade incontornável. O pensamento único só pariu esterilidade e resignação. Este é o tempo mais asado para todas as interrogações humanas!

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