Breaking Bad S04

Séries, Sétima Arte

A quarta temporada começa no exato momento onde termina a terceira. Com a morte de Gale e com Jesse e Walter à espera de punição por parte de Gus Fring. O jogo do gato e do rato começa aqui e será a jogado durante toda a temporada. Gus e Walter são duas mentes brilhantes e, onde antes existia admiração e respeito mútuo, há agora uma certeza inabalável – ambos precisam um do outro, mas só um pode sobreviver. Então, ao longo de treze episódios, toda a narrativa é guiada por este jogo de xadrez, onde cada um dos jogadores move as suas peças com o objetivo de fazer um xeque-mate ao adversário.

Gus Fring é o mais inteligente, calculista e implacável rival que Walter White encontrou até agora. Todos os obstáculos que o antigo professor de química enfrentou até aqui parecem brincadeira de criança comparados com os desafios colocados por este opositor. Fring é a personificação exemplar de vilão. É o antagonista ideal para White. A construção desta personagem roça a perfeição. Admiramo-lo pela sua inteligência e serenidade diante do perigo e ao mesmo tempo sentimos que estamos perante um sociopata que poderá atingir o ponto de ebulição a qualquer momento. Para além disso, houve também a preocupação, através de uma analepse, de nos mostrarem a razão de ser da sua implacabilidade, o que confere uma salutar tridimensionalidade a esta personagem.

O resto, como se costuma dizer, é história. Não quero revelar demasiado os acontecimentos de uma temporada que prima pela tensão de cortar à faca e por um conjunto de ocorrências imprevisíveis e que conduzem a enormes transformações, quer a nível diegético, quer a nível do desenvolvimento de cada personagem. Só acrescentarei mais uma coisa: Walter White é uma das melhores personagens criadas para séries de televisão e esta temporada é uma excelente prova disso mesmo.

Idiocracia #04

Idiocracia

Idiocracia é um regime de governo em que são constantemente tomadas más decisões que resultam na degradação das condições do país.

“Fernando Ulrich: O país aguenta mais austeridade?… Ai aguenta, aguenta.” Público

Prince Don Fabrizio Salina: We were the leopards, the lions, those who take our place will be jackals and sheep, and the whole lot of us – leopards, lions, jackals and sheep – will continue to think ourselves the salt of the earth. Il gattopardo

Li os comentários de Fernando Ulrich sobre se Portugal aguentava ou não mais austeridade e automaticamente relembrei-me da citação do filme Il gattopardo, de Luchino Visconti.

Em Portugal temos uma fauna bastante diversificada e cada vez mais temos os grandes predadores a vangloriarem-se e a caçarem à vista de toda a gente.

Kuky Tala | Turi

Música, Músicas

Não sei nada sobre esta banda mas encontrei-a nas minhas deambulações cibernáuticas e, depois de ouvi-la duas ou três vezes, resolvi partilhar. Soa-me a algo negro e sofisticado. O tipo de música que fica no ouvido quase instantaneamente, mas que depois irá parar ao sem fim de coisas que não voltamos a ouvir. Veremos!

Multitasking

Cinequote, Sétima Arte

Title card: There is an old proverb which says: Don’t try to do two things at once and expect to do justice to both. This is the story of a boy who tried it. While employed as a moving picture operator in a small town theater he was also studying to be a detective.

Já nos anos 20 Buster Keaton andava às voltas com o multitasking. Fazer com duas mãos o trabalho que deveria ser feito por quatro é algo que nem sempre é produtivo. Mas, como diria António Gedeão, o sonho comanda a vida e por vezes é essencial lançarmo-nos numa epopeia sem mãos a medir. Se queremos ser detetives é para aí que temos que apontar todas as nossas forças…

Skyfall

Cinema, Sétima Arte

É difícil olhar para um filme sobre o agente secreto mais conhecido do mundo sem ter em conta o universo que foi desenvolvido nos vinte e dois filmes anteriores. Por mais que não queiramos, este aspeto acaba sempre por condicionar a visualização e, posteriormente, a avaliação que fazemos. São muitos pontos de possível comparação. São os atores que desempenham o papel de 007, as Bond Girls, os carros, as engenhocas, as músicas, os vilões e a história e a sua ligação com a realidade.

Um bom exemplo disso, é a escolha de Daniel Craig para protagonista da saga criada por Ian Fleming. Fosse outro filme qualquer e não se analisaria tão pormenorizadamente se Craig encaixaria ou não no papel de Bond. Mas aqui temos termo de comparação. Para além da personagem literária, temos um conjunto de cinco atores que já desempenharam este papel, daí surgirem tantas expetativas que podem ser defraudadas.

No entanto, a verdade é que Daniel Craig, contra todas as críticas despertadas pela sua escolha, tem estado à altura do desafio. Pode não ser tão polido, nem apresentar o glamour de Sean Connery ou Pierce Brosnan, mas os tempos mudaram e talvez seja necessário um James Bond mais duro. A guerra fria acabou. O requinte teve que dar lugar à ação. Como M. disse na cena em que estava no tribuna – os inimigos de hoje não são como antes, não são nações, não são localizáveis, vivem nas sombras e por isso é essencial ter uma organização que esteja à altura dos acontecimentos e responda de forma rápida e letal.

Para além da comparação óbvia com os filmes anteriores, temos também que ter em conta a influência de outros produtos deste género. Casino Royale é uma resposta direta aos filmes de Bourne, protagonizados por Matt Damon. A trilogia Bourne mostra-nos uma “herói” mais humanizado. Não é o protótipo espião bem comportado, que segue cegamente ordens hierárquicas e patrióticas. Obviamente o rumo dos acontecimentos assim o exige, mas Bourne é alguém que questiona o que faz e que sente na pele a dificuldade das decisões que tem que tomar. É também alguém que mete as mãos na massa e age de acordo com um código de conduta muito próprio, algo que este Bond acaba por fazer também.

Até Skyfall, o Bond de Craig cola-se muito mais a Bourne do que aos Bonds anteriores. É neste filme que se faz a ligação entre o moderno e o clássico. Por isso, pode dizer-se que este é um filme de transição, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Continua a mostrar a energia de Casino Royale, mas faz uma enorme aproximação ao tradicional, conquistando assim alguns fãs que não estavam tão ligados a este novo Bond. Quanto a Daniel Craig, será sempre um Bond diferente, mas algo me diz que de agora em diante podemos esperar mais dispositivos criados por Q, mais namoricos com Miss Moneypenny, mais vilões megalómanos como Silva (excelente Javier Bardem) e mais “Bond, James Bond”.

Idiocracia #03

Idiocracia

Idiocracia é um regime de governo em que são constantemente tomadas más decisões que resultam na degradação das condições do país.

“Valor mínimo do subsídio de desemprego baixa para 377 euros.”  Económico

“Governo propõe corte de 6% no Rendimento Social de Inserção e de 2,25% no complemento para idosos.”  i

“A Spartan child was dipped in wine to test its strength. They believed a weak child would die from this. Then the child was taken to a council, which would decide if the child was defective. If they deemed it to be then it would be taken to Mount Taygetos and be discarded.”  Socyberty

Eureka! Finalmente percebi. O estado português está a seguir o modelo espartano. Para eles, não existe lugar para os mais fracos na nossa sociedade. Como os tempos são outros, e atirar pessoas de um penhasco não seria muito bem aceite, a decisão tomada foi deixá-los morrer aos poucos, tirando-lhes o pouco dinheiro que tinham para subsistir.