The Black Keys | Pavilhão Atlântico

Concertos, Música, Músicas

@Rita Carmo/Espanta Espíritos

Eletrizante. Esta é a palavra que me ocorre em primeiro lugar quando penso na experiência que foi ver The Black Keys ao vivo.

O dedilhar de Dan Auerbach na guitarra deveria ser considerado uma fonte de energia alternativa. Cada toque nas cordas equivale a centenas de Watts libertados.

A potência elétrica da música é convertida em energia que sai diretamente dos instrumentos e faz estremecer cada centímetro cúbico do nosso corpo, fazendo-o ganhar uma vontade primária e incontrolável de seguir a cadência sonora que lhe chega.

Com uma boa banda a abrir, casa quase cheia e a estreia da dupla Dan Auerbach e Patrick Carney em solo português, as expetativas estavam ao rubro nesta noite fria e chuvosa de Outono.

Felizmente o ambiente no concerto não esteve em consonância com o ambiente vivido na rua. Apesar de ter começado mal, com uma primeira música (e logo Howlin’ For You) em que o microfone estava desligado, cedo a dupla americana agarrou o espetáculo pelos cornos e ofereceu ao público uma boa noite musical.

Continuo a achar que a escolha do local poderia ter sido melhor (acústica terrível) mas compreendo que, com a quantidade de gente encantada com a Lonely Boy, tenha surgido a necessidade de um espaço de grandes dimensões. Fica a perder quem realmente aprecia The Black Keys e gostaria de os ver num local que fizesse justiça à sua qualidade.

Detachment

Cinema, Sétima Arte

A adolescência é um dos períodos mais importantes na vida de qualquer indivíduo. É a transição física, mental e social entre a infância e a idade adulta, uma fase em que já não somos crianças mas que ainda não estamos completamente desenvolvidos a nível cognitivo. É também uma altura em que somos autênticas esponjas, absorvendo de forma quase imediata informação e comportamentos que nos rodeiam. Por outras palavras, somos bastante influenciáveis nessa idade. Daí ser essencial ter algum tipo de acompanhamento nessa fase tão importante e decisiva da nossa vida.

Numa sociedade perfeita, esse acompanhamento seria dado em grande parte pelos pais. Mas não vivemos numa sociedade perfeita. Vivemos num mundo atestado de diferenças sociais, que parecem acentuar-se a cada dia que passa. E não é novidade, pais com maiores dificuldades tendem a educar menos os filhos. Não há disciplina, não há valores, não há educação. Existe falta de emprego, escassez de dinheiro, problemas de integração social, alcoolismo, toxicodependência e por ai adiante. E quem paga são os filhos, que serão criados sem acesso à educação que necessitam para sair deste ciclo de pobreza.

É aqui que entra o ensino público. As escolas públicas podem, e devem, desempenhar um papel importante na interrupção deste ciclo, dando acesso à educação àqueles que dela mais necessitam e criando as condições que permitam o seu desenvolvimento e formação humana até à sua integração na sociedade.

É este o tema tratado em Detachment. Através da história de um professor substituto numa escola pública, conseguimos perceber tanta coisa que está mal no ensino norte-americano (e português?). A violência, a carência de fundos, a falta de infraestruturas de qualidade e a pressão e risco a que estão sujeitos os docentes são entraves claros ao funcionamento normal de uma boa escola pública. Mas, muito mais importante do que isso, a sociedade, na forma em que está concebida atualmente, é responsável por acentuar estas diferenças e empurrar cada vez mais para o fundo as classes mais baixas.

Poderia apontar um ou dois defeitos a este filme, mais de forma do que de conteúdo, mas são irrelevantes tendo em conta a importância do tema apresentado. É um excelente trabalho de Tony Kaye, que volta a oferecer-nos uma obra de grande qualidade, catorze anos depois de American History X.

As Crónicas de Gelo e Fogo – Livro 4 – O Despertar da Magia

Ficção, Livros

A guerra continua em Westeros. Starks, Lannisters, Baratheons e Greyjoys estão imersos numa luta sanguinária pelo poder. E enquanto as casas mais poderosas dos sete reinos lutam entre si, a ameaça dos povos livres, seguidos por seres que se pensava estarem extintos há milénios, torna-se cada vez mais real.

A norte, em Winterfell, casa dos Stark, o mundo parece estar a despedaçar-se. As personagens desta casa são as que reúnem mais simpatia por parte da maioria dos leitores e, talvez por isso, R.R. Martin faz com que passem pelas maiores provações nas Crónicas do Gelo e Fogo. A família dos lobos está separada e cada personagem é confrontada com provações que ameaçam constantemente a sua existência.

Mais a sul, assiste-se à luta pela capital do reino – Porto Real. Os Lannister detêm o poder mas a força de Stannis Baratheon aproxima-se e possui vantagem numérica, colocando em risco a posse do poder, que a família do leão tanto ambiciona. Resta a Joffrey, o rei adolescente e mimado, esperar que o seu inteligente tio, o anão e agora mão do rei, consiga planear uma defesa contra uma força muito mais poderosa.

Poderia continuar por mais sete ou oito parágrafos e mesmo assim não conseguiria fazer uma síntese de tudo o que se passa neste livro, tal não é a quantidade de personagens e linhas narrativas aqui presentes. Esta é uma das grandes mais-valias das obras de R.R. Martin. Está tudo tão emaranhado e é tudo tão imprevisível que somos inundados por este universo cruel e implacável.

O quarto livro das crónicas é o mais violento e, como o título indica, o mais fantasioso. As batalhas sucedem-se umas a seguir às outras e a sua descrição é absolutamente impecável. Por vezes, parece que estamos no meio da batalha, que sentimos a adrenalina, a fadiga e as feridas das personagens envolvidas na luta. É também o livro mais negro até agora. Como disse na análise ao livro anterior, não se espantem se, sem que nada o faça prever, uma personagem morra ou sofra um destino inesperado. Quando chegamos ao fim do livro parece que tudo está à beira do apocalipse. E ainda vamos no quarto, faltam dez para que a história chegue ao fim. Por isso, depois de uma pausa merecida para ler outras coisas, voltarei à carga a este extraordinário universo.

Alteração no Menu

Geral

Não é nada de especial, mas fiz uma alteração no Menu do Polaroid Journal.

Acrescentei duas ligações para facilitar a navegação no blogue. Quem segue o Polaroid, sabe que a maioria dos posts que faço são sobre cinema  e música.  Esta alteração tem como objetivo conseguir chegar a estes posts com apenas um clique.

Ao clicarmos em Filmes acedemos rapidamente, e de forma cronológica, a todos os comentários que faço sobre os filmes que vou assistindo.

Quando clicamos em Músicas podemos aceder ao que poderia ser a Playlist do blogue, visto que aparecerão todas as músicas que partilhei até ao momento.

Espero que ajude. 🙂

 

 

No One Escapes

Cinequote, Sétima Arte

Antonius Block: Nothing escapes you!
Death: Nothing escapes me. No one escapes me.

Por vezes penso se isto não será tudo um jogo. Um longo jogo de xadrez contra um adversário que, mais tarde ou mais cedo, está destinado a dar-nos o golpe final – o xeque-mate.
Felizmente, ainda nos resta a liberdade de escolhemos como movemos as peças. A luz ao fundo do túnel não existe, mas pelos menos temos a chama da liberdade para nos alumiar o caminho.

Devendra Banhart | Seahorse

Música, Músicas

Well I’m scared of ever being born again
If it’s in this form again
Well I wanna know how why where and when and then
I wanna see you be the bright night sky
I wanna see you come back as the light
I wanna see you be the bright night sky
I wanna see you come back as the light

Idiocracia #08

Idiocracia
Idiocracia é um regime de governo em que são constantemente tomadas más decisões que resultam na degradação das condições do país.

Negócios dos submarinos: perguntas e respostas.Público

Submarinos: Julgamento suspenso até segunda-feira. ” Sol

Ainda mal começou e já está a submergir no lodo da justiça portuguesa. É impressão minha ou começar um caso desta importância com uma “suspensão para ter tempo de tratar da questão da tradução simultânea“, é um sinal claro do estado das coisas em Portugal.

Enfim, será mais um caso polémico que se juntará à pasta do Freeport, Face Oculta e mais uma centena de processos que nos custam milhares e milhares de euros e que acabam sempre da mesma forma…

Se existe por ai alguém que  acredite que este caso chegará a bom porto, acuse-se.

Adenda: Acrescento mais este Dossier Submarinos, do Tretas.org.