Argo

Cinema, Sétima Arte

Sólido. Nada genial, mas sólido. É como se pode caracterizar o curto percurso de Ben Affleck atrás das câmaras. Existe muito boa gente espantada com a competência demonstrada pelo homem que ganhou um Oscar em 1998, pelo argumento de Good Will Hunting. O espanto não advém tanto de um ator tomar a cadeira de realizador, algo já feito com sucesso por tantos outros, mas por ser tão fraco ator a faze-lo. Como se fosse antagónico ser bom realizador e mau ator! Mas Ben Affleck está aqui para provar o contrário. E é curioso, pois até a sua performance como ator melhora quando se dirige a ele próprio. O que demonstra inteligência, pois sabendo dessa sua fraqueza protege-se tornado os seus papeis menos exigentes e mais discretos, por forma a não prejudicar o produto final.

E já que falamos em produto final, este Argo é um produto irrepreensível, cinematograficamente falando. É um filme consistente do início ao fim. A história, apesar de inverosímil, é verdadeira e filmada com muito rigor, sendo a reconstrução da época um dos seus melhores trunfos. Tudo neste filme, desde a cinematografia, caracterização, direção de arte e guarda-roupa, parece plausível. O que é bom pois, tendo em conta os factos em que se baseia, poderia facilmente cair no ridículo.

Mas a verdade é que estamos perante uma história que merece ser contada. No fim dos anos 70, depois dos Aiatola assumirem o controlo do Irão, um grupo de estudantes toma a embaixada dos EUA de assalto e, acusando os funcionários americanos de espionagem, mantêm-nos como reféns. Seis dos funcionários conseguem fugir e procuram refúgio junto à embaixada canadiana, sabendo que se forem capturados serão assassinados. Sabendo desta fuga, os EUA iniciam um plano ardiloso para retirar estas seis pessoas de solo iraniano. Nada mais, nada menos do que a criação de um falso filme de ficção- cientifica, filmado em cenários exóticos, e intitulado Argo, para conseguir infiltrar um agente da CIA que tem com objetivo a difícil missão de extrair os fugitivos.

Se há alguma coisa a apontar a Ben Affleck não é certamente a inabilidade técnica na realização, é mais o facto de realizar um filme panfletário pró-americano. É certo que se limita a contar uma história, mas esta história faz pouco mais que enaltecer (mais uma vez) a superioridade americana, mostrando como são bons, criativos e persistentes perante situações extremamente complicadas. Existe apenas uma menção (um descargo de consciência?) ao facto dos americanos darem guarida a um ditador que em parte é responsável pela ascensão dos extremistas religiosos ao poder.

Caso se coloque estas posições ideológicas à parte, Argo é um excelente thriller. Um filme que nos agarra deste o primeiro minuto (a propósito, excelente prólogo) até ao clímax final. E, não que isso tenha grande significância, aposto que teremos uma ou duas nomeações técnicas para a próxima cerimónia dos Oscares.

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