Io e Te

Cinema, Sétima Arte

Io e Te conta-nos a história de um adolescente introvertido que escolhe passar clandestinamente uma semana na cave do seu prédio, em vez de ir para a neve numa viagem escolar. Desde cedo somos levados a crer que estamos perante um jovem potencialmente problemático, alguém que vive à margem da sociedade.

Lorenzo gosta de viver isolado num mundo só seu, onde o único objetivo de cada ação é o culto da sua própria pessoa. A visita ao psicólogo da escola, o comportamento narcisista e a relação edipiana com a sua mãe, sugerem que poderá ter algum desvio comportamental mas com o avançar do filme apercebemo-nos que estamos simplesmente perante um adolescente que procura descobrir qual o seu lugar no mundo. Um mundo que nem sempre é justo ou fácil de habitar, principalmente se formos um jovem de 14 anos com um pai ausente e alguns problemas de integração.

Esta fase de transição entre a infância e a idade adulta é tema recorrente no cinema, ao ponto de quase ser considerado um género. São os chamados filmes coming-of-age. São histórias onde geralmente as personagens principais sofrem algum tipo de crescimento pessoal devido a situações com que são confrontados. E é exatamente o que acontece aqui, quando Lorenzo é confrontado com a presença da sua meia-irmã mais velha, uma atraente jovem, na casa dos vinte anos, que desperdiça todo o seu potencial artístico devido às drogas.

A presença da irmã levará Lorenzo a conhecer melhor a história da sua família e, consequentemente, a refletir sobre a sua própria vida. Não sabemos o que acontecerá depois da separação dos irmãos, mas é provável que esta experiência, e toda a aprendizagem daí retirada, sirva de alavanca para uma mudança na forma de ser do jovem adolescente.

Estamos assim perante um filme que não acrescenta nada de novo ao género, mas apresenta de forma habilidosa uma história real e intimista sobre um período importantíssimo na vida de qualquer ser humano. Não existem rasgos de génio que já vimos noutras ocasiões em filmes de Bernardo Bertolucci e, segundo o que me disseram, não é totalmente fiel ao material original, mas merece com toda a certeza a atenção dos fãs do realizador e de Niccolò Ammaniti, o autor do livro.

2 thoughts on “Io e Te

  1. Esse filme teria sido uma boa razão para eu passar no festival. O Bertolucci tem uma forma muito pessoal de filmar os “coming of age”. Lembro-me do anterior “The Dreamers”.

  2. Valeu bem a pena a ida ao ELFF. Confesso que, não fosse por um amigo meu recomendar, teria deixado passar este filme. Ainda bem que fui. Valeu a pena.

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