Detachment

Cinema, Sétima Arte

A adolescência é um dos períodos mais importantes na vida de qualquer indivíduo. É a transição física, mental e social entre a infância e a idade adulta, uma fase em que já não somos crianças mas que ainda não estamos completamente desenvolvidos a nível cognitivo. É também uma altura em que somos autênticas esponjas, absorvendo de forma quase imediata informação e comportamentos que nos rodeiam. Por outras palavras, somos bastante influenciáveis nessa idade. Daí ser essencial ter algum tipo de acompanhamento nessa fase tão importante e decisiva da nossa vida.

Numa sociedade perfeita, esse acompanhamento seria dado em grande parte pelos pais. Mas não vivemos numa sociedade perfeita. Vivemos num mundo atestado de diferenças sociais, que parecem acentuar-se a cada dia que passa. E não é novidade, pais com maiores dificuldades tendem a educar menos os filhos. Não há disciplina, não há valores, não há educação. Existe falta de emprego, escassez de dinheiro, problemas de integração social, alcoolismo, toxicodependência e por ai adiante. E quem paga são os filhos, que serão criados sem acesso à educação que necessitam para sair deste ciclo de pobreza.

É aqui que entra o ensino público. As escolas públicas podem, e devem, desempenhar um papel importante na interrupção deste ciclo, dando acesso à educação àqueles que dela mais necessitam e criando as condições que permitam o seu desenvolvimento e formação humana até à sua integração na sociedade.

É este o tema tratado em Detachment. Através da história de um professor substituto numa escola pública, conseguimos perceber tanta coisa que está mal no ensino norte-americano (e português?). A violência, a carência de fundos, a falta de infraestruturas de qualidade e a pressão e risco a que estão sujeitos os docentes são entraves claros ao funcionamento normal de uma boa escola pública. Mas, muito mais importante do que isso, a sociedade, na forma em que está concebida atualmente, é responsável por acentuar estas diferenças e empurrar cada vez mais para o fundo as classes mais baixas.

Poderia apontar um ou dois defeitos a este filme, mais de forma do que de conteúdo, mas são irrelevantes tendo em conta a importância do tema apresentado. É um excelente trabalho de Tony Kaye, que volta a oferecer-nos uma obra de grande qualidade, catorze anos depois de American History X.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s