Patrick Watson | Words In The Fire

Música, Músicas

39658830

So what’s been on your mind
Eating you inside
Taking all of your time
On this warm summer night
Put your words down in the fire
Anúncios

M

Cinema, Sétima Arte

sb031

Independentemente dos critérios de avaliação usados, M é uma obra-prima. Foi-o nos anos trinta e continua a sê-lo neste novo milénio. Mas o que mais me espanta é o quão à frente do seu tempo estava. Numa altura em que o som ainda era um elemento novo no cinema, é incrível como Fritz Lang consegue transcender essa inovação e usar uma série de elementos que foram uma lufada de ar fresco na sétima arte.

Contar uma história que tem como tema principal o assassinato de crianças é algo, no mínimo, arrojado, principalmente considerando que estamos no inicio dos anos trinta. Mas Lang foi muito além desse tema e acaba por fazer uma crítica à sociedade contemporânea.

A forma como as ações do assassino de crianças, magnificamente interpretado por Peter Lorre, desencadeiam a desordem social, como toda a gente começa a acusar os próprios vizinhos de forma fortuita e sem fundamento, a desorientação da polícia e o desespero dos criminosos (que começam a perder o seu negócio devido ao apertar do cerco por parte da polícia) demonstram que os alicerces sociais se desmoronam ao mínimo abanão.

Chega a ser cómica a forma como, através de uma edição brilhante, vemos de forma intercalada as ações da polícia e a investigação levada a cabo pelos criminosos. Duas forças antagónicas a lutarem, de formas completamente distintas, por um objetivo único – restabelecer a ordem, para que tudo volte à normalidade.

Felizmente existem muitos mais filmes do gabarito de M, mas no que diz respeito a thrillers psicológicos, não esperem encontrar muito melhor que isto. M é, indubitavelmente, do melhor que há no género.

Rurôni Kenshin

Cinema, Sétima Arte

rurouni-kenshin

Um filme bastante divertido, principalmente para quem gosta do género e era fã do Anime dos anos 90. Está muito bem conseguido a nível cinematográfico e coreográfico mas perde pontos pela simplicidade e, por vezes, infantilidade do argumento. De qualquer forma, nem que seja por uma questão de nostalgia, o tempo despendido foi bem empregue.

Zero Dark Thirty

Cinema, Sétima Arte

1355766539_414656_1355920918_noticia_normal

Se olharmos de forma muito simples e sinóptica para este filme, o que temos aqui é a maior caça ao homem da história da humanidade. Foram gastos milhões de dólares com um objetivo único, encontrar e matar Osama bin Laden (OBL), o homem responsável pelo maior ataque de sempre em solo Norte-americano. Mas por baixo de uma máscara de ação, está algo muito mais complexo do que a caçada a um homem. Está uma forma de agir perante as adversidades. Uma reação desproporcional perante toda e qualquer contrariedade. A história dos Estados Unidos da América é rica em casos em que o conceito de justiça “olho por olho” é aplicado e multiplicado por mil e esta é mais uma página desse livro.

O que assistimos aqui é a uma punição que não olha a meios para chegar a fins. Um “fomos atacados e agora temos que retribuir com cem vezes mais força para nos vingarmos e prevenirmos futuros ataques”. As torturas exibidas durante o primeiro ato do filme são evidência disso mesmo. Aqui, não existem limites na procura da verdade e da suposta justiça. Os Direitos Humanos não têm lugar nesta “Guerra ao Terror”, as pessoas são veículos para chegar a factos e não seres humanos livres e iguais em dignidade e em direitos.

Mas ao contrário de muita gente, não aponto o dedo a Kathryn Bigelow por filmar como filmou e por contar a história como a contou. As coisas são como são e não a vejo a glorificar esta violência ou a tomar partido em uma única cena do filme. Aliás, sai do filme com a sensação de que o verdadeiro vilão do filme não era OBL, mas sim o sistema que permite tratar as pessoas sem um mínimo de dignidade.

Esta busca por uma vingança redentora está extraordinariamente bem expressa na personagem principal, uma agente da CIA, interpretada de forma excecional por Jessica Chastain. A busca de Maya é incessante, repleta de dedicação e termina com o objetivo cumprido. Mas a última cena do filme mostra-nos a cara de Maya a desfazer-se em lágrimas.

Fica em aberto o que essas lágrimas significam. Para mim não são lágrimas conciliadoras. São lágrimas que simbolizam o vazio da vingança. Representam uma vida dedicada a algo que por mais importância que tenha, não trará de volta todos os que se perderam nesta guerra ininterrupta que tantas vitimas causou.

Homeland S02

Séries

HomelandS2c1620
Se a primeira temporada de Homeland foi muita boa, a segunda aumentou ainda mais a fasquia de qualidade e superou totalmente as expetativas criadas. Confesso que, quando acabou o último episódio da primeira temporada, pensei como seria possível dar continuidade a uma história que parecia ter já atingido o seu apogeu.

Não poderia estar mais enganado. Homeland revelou que ainda tinha muito para oferecer e, desde o primeiro episódio, apercebemo-nos que acabamos de entrar numa viagem turbulenta pela mundo do (anti)terrorismo e pelos jogos de bastidores da CIA.

A liderar esta viagem sempre intrigante está, mais uma vez, um elenco espetacular em que destaco Claire Daines, Damian Lewis e Mandy Patinkin. A narrativa, com as suas voltas e reviravoltas, coloca as personagens em situações extremas de pressão e é imprescindível, para a credibilidade da história, que as interpretações sejam irrepreensíveis.

Uma das coisas que mais gosto nesta séria é a forma como a fronteira entre o bem e o mal é muitas vezes impercetível. Obviamente, sendo esta uma série Norte-americana, a razão está quase sempre do lado do estadunidenses, mas o “mal” está distribuído pelos dois lados da barricada.

Mais uma vez, acabamos pendurados com muitas questões e novamente a pensar como será possível transcender o clímax dos últimos três episódios. Mas, com um elenco destes, e argumentistas da qualidade de Alex Gansa e Howard Gordon, podemos ficar novamente expetantes para uma terceira temporada grandiosa.

Flight

Cinema, Sétima Arte

flight-clip1_h1080p

Robert Zemechis é um excelente contador de histórias. Olhamos para a sua filmografia e vemos filmes como a trilogia Back to The Future, Forrest Gump e Cast Away e é isso mesmo que constatamos. A forma clássica como aborda uma narrativa é uma das suas imagens de marca e costuma funcionar quase sempre. Em Flight, volta a presentear-nos com um live-action, depois de 12 anos, e três filmes, a fazer animação.

Ficamos aqui a conhecer a história do capitão William “Whip” Whitaker, um homem com capacidades enormes que se deixa mergulhar no vicio que é o alcoolismo. A sua maior dificuldade não é apenas o problema que tem com o álcool, mas o facto de não admitir esse mesmo problema. Tudo poderia ter corrido bem a Whip caso mentisse, não teria dificuldades com as autoridades e continuaria com a sua reputação, seria um herói por ter aterrado um avião em condições que mais ninguém conseguiria, mas continuaria mergulhado no poço sem fundo que é a dependência do álcool.

Não que tenha algo de especial a apontar a Flight, é um filme competente e conta-nos uma história interessante, mas parece que falta alguma coisa para torná-lo num grande filme. Mas também quem diz que todos os filmes têm aspirações a serem grandiosos?

Os melhores Filmes de 2012

Cinema, Sétima Arte

2012 foi um ano cinematográfico bastante atípico para mim. Vi apenas 105 filmes, quando costumo ver mais de 150. Mas, curiosamente, foi o ano que mais vezes fui ao cinema. Dos 105 filmes vistos, 66 foram vistos na grande tela.

E, como é costume, aqui estão os 10 melhores filmes que vi.

10 – Intouchables

the-intouchables_592x299

9 – Holy Motors

Holy-Motors-US

8 – I Wish

i_wish.jpg.700x466_q85

7 – Argo

argo

6 – Take Shelter

Take Shelter

5 – Shame

shame-600x263

4 – Moonrise Kingdom

Moonrise Kingdom

3 – Oslo, August 31st

Oslo

2 – Tabu

tabu3

1 – Amour

Amour 2

Nota: prémio honorário para Looper, The Dark Knight Rises, The Avengers e War Horse.

Silver Linings Playbook

Cinema, Sétima Arte

134_SLP-062591-620x412

É curioso como, por vezes, alguns filmes surgem do nada e conquistam tudo o que os rodeia. É o caso de Silver Linings Playbook, um filme que não me recordo de ver em nenhuma lista dos mais desejados filmes a ver em 2012 e que no entanto, a partir do fim do verão, criou um alarido tão grande à sua volta que conseguiu a proeza de ser nomeado para o Oscar de melhor filme.

Esta nomeação não me surpreende. E, infelizmente, não é por ter visto o filme e achar que a merece, é por já estar habituado ao típico juízo da academia. Neste momento podem ser escolhidos DEZ filmes para o melhor filme do ano. Não acho o número muito elevado, felizmente ainda existe muito bom filme a ser produzido por este mundo fora. Mas o aumento de filmes nomeados não serviu para premiar o admirável cinema do mundo, serviu antes para promover mais alguns filmes americanos. Atualmente, olhamos para os nomeados e parece que há lugar para tudo. Temos o filme estrangeiro (figas para que ganhe), o filme independente, o Blockbuster e até o Feel Good Movie.

E é de um Feel Good Movie que Silver Linings Playbook se trata. E, não obstante tudo o que disse anteriormente, dentro deste tipo de filme, estamos perante uma obra de qualidade. A comédia romântica está lá, o Boy meet Girl and Falls in Love também, os clichés típicos preenchem cada cena, mas depois há qualquer coisa que o faz subir um nível em relação ao que estamos habituados. O elenco é espetacular (quatro nomeações para os atores), a realização é boa e a história, sem ser original, consegue inovar e tocar nalguns pontos interessantes como a polaridade e a forma como lidamos com a mudança na nossa vida.

Ao assistir ao filme, sabia que estava a ver um êxito de bilheteira. Os tempos são negros e as pessoas gostam e querem ver coisas que lhes deem esperança, que sirvam de escape à realidade dura que vivem. Como o próprio protagonista fez, muito boa gente quer atirar pela janela fora os Ernest Hemingways que lhes dão finais infelizes. Pessoalmente, gosto de escapar à realidade de vez em quando, mas jamais trocarei Amour por um Silver Linings Playbook.

Holy Motors

Cinema, Sétima Arte

holy-motors-foto

Goste-se ou deteste-se, perceba-se ou não, uma coisa é certa em Holy Motors, é um filme que não deixa ninguém indiferente. Só por isso já vale a pena uma recomendação. Com centenas de filmes irrelevantes que estreiam nas salas de cinema em todo o mundo, é uma bênção que nos seja dada a oportunidade de assistir a uma obra cujo valor ultrapassa em larga escala o mero entretenimento.

Holy Motors é uma obra desconcertante, que cai dentro de um grupo de filmes cuja subjetividade é uma das suas maiores (e melhores) qualidades. Por ser tão vago e não linear do ponto de vista narrativo permite um conjunto variado de interpretações, que podem variar de acordo com vários fatores. Pessoas diferentes, podem ter interpretações distintas e, não tenho dúvidas, até a mesma pessoa pode ter um entendimento diferente em cada visualização.

O arrojo de Leos Carax e o desempenho magnífico de Denis Lavant são argumentos mais que suficientes para fazer deste filme um dos indispensáveis de 2012.