Zero Dark Thirty

Cinema, Sétima Arte

1355766539_414656_1355920918_noticia_normal

Se olharmos de forma muito simples e sinóptica para este filme, o que temos aqui é a maior caça ao homem da história da humanidade. Foram gastos milhões de dólares com um objetivo único, encontrar e matar Osama bin Laden (OBL), o homem responsável pelo maior ataque de sempre em solo Norte-americano. Mas por baixo de uma máscara de ação, está algo muito mais complexo do que a caçada a um homem. Está uma forma de agir perante as adversidades. Uma reação desproporcional perante toda e qualquer contrariedade. A história dos Estados Unidos da América é rica em casos em que o conceito de justiça “olho por olho” é aplicado e multiplicado por mil e esta é mais uma página desse livro.

O que assistimos aqui é a uma punição que não olha a meios para chegar a fins. Um “fomos atacados e agora temos que retribuir com cem vezes mais força para nos vingarmos e prevenirmos futuros ataques”. As torturas exibidas durante o primeiro ato do filme são evidência disso mesmo. Aqui, não existem limites na procura da verdade e da suposta justiça. Os Direitos Humanos não têm lugar nesta “Guerra ao Terror”, as pessoas são veículos para chegar a factos e não seres humanos livres e iguais em dignidade e em direitos.

Mas ao contrário de muita gente, não aponto o dedo a Kathryn Bigelow por filmar como filmou e por contar a história como a contou. As coisas são como são e não a vejo a glorificar esta violência ou a tomar partido em uma única cena do filme. Aliás, sai do filme com a sensação de que o verdadeiro vilão do filme não era OBL, mas sim o sistema que permite tratar as pessoas sem um mínimo de dignidade.

Esta busca por uma vingança redentora está extraordinariamente bem expressa na personagem principal, uma agente da CIA, interpretada de forma excecional por Jessica Chastain. A busca de Maya é incessante, repleta de dedicação e termina com o objetivo cumprido. Mas a última cena do filme mostra-nos a cara de Maya a desfazer-se em lágrimas.

Fica em aberto o que essas lágrimas significam. Para mim não são lágrimas conciliadoras. São lágrimas que simbolizam o vazio da vingança. Representam uma vida dedicada a algo que por mais importância que tenha, não trará de volta todos os que se perderam nesta guerra ininterrupta que tantas vitimas causou.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s