Star Trek: The Motion Picture

Cinema, Sétima Arte

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Sempre existiu uma guerra entre as estrelas. Desde que, em 1977, estreou o episódio IV do Star Wars que os fãs se começaram a dividir. De um lado os fãs da saga de George Lucas, do outro, os fãs do Star Trek, que apesar de ter uma série televisiva desde os anos 60, só em 1979 viu o seu primeiro filme estrear.

Confesso que faço parte do grupo de fãs do Star Wars. Esta série de filmes acompanha-me desde que me lembro de existir e é com grande entusiasmo que vejo qualquer coisa ligada a este universo, seja um videojogo, um livro, uma banda-desenhada ou o anúncio de uma nova trilogia.

Neste momento estamos em plena guerra pois os filmes Star Trek estão mais fortes do que nunca e em 2015 teremos o episódio VII do Star Wars. E é aqui que está a parte interessante desta equação, o realizador responsável pela revitalização do universo Trekkie, será quem estará à frente da nova trilogia Star Wars. J.J. Abrams é claramente the man of the hour das Space Operas Norte-americanas.

Esta conversa toda para dizer que decidi ver todos os filmes do Star Trek. Comecei, como é óbvio, pelo primeiro e posso dizer que fiquei dececionado. Tinha-o visto há muitos anos atrás e, do que me recordava, não tinha gostado muito. Esta foi assim a confirmação de uma opinião que já tinha: Star Trek: The Motion Picture é muito fraco, é pouco interessante, está datado e é pouco original pois é uma reexploração de um tema já abordado num episódio (muito melhor que o filme) feito nos anos 60. Esperemos que os próximos sejam melhores!

The Perks of Being a Wallflower

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É impossível, pelo menos para mim, começar um comentário a The Perks of Being a Wallflower e não falar em Emma Watson. É interessante a relação entre o coming-of-age que o filme trata e o coming-of-age que assistimos, quase em tempo real, de Emma Watson. Fomos vendo o seu crescimento através dos filmes de Harry Potter e, de um dia para o outro, constatamos que estamos perante uma miúda que se transformou em mulher. E se há dúvidas que essa miúda marrona da saga fantasiosa passou à história, temos aqui uma personagem muito mais exigente que o comprova. Agora resta-nos esperar e ver o que aí vem este ano com The Bling Ring, de Sofia Coppola, uma realizadora que, esperemos, puxe pelo que de melhor a atriz tem.

Mas não é só Emma Watson que brilha neste filme. Os outros dois protagonistas têm também desempenhos que merecem ser elogiados. Principalmente Ezra Miller, que depois de We Need to Talk About Kevin (que performance!), volta a surpreender e a roubar todas as cenas onde entra.

O trio constitui assim um dos melhores trunfos de um filme que é baseado num bestseller dos anos 90. Acredito que, não fossem estes três atores os escolhidos, poderíamos estar perante mais uma obra banal sobre um tema intensamente explorado no cinema. Mas os seus desempenhos e personagens excêntricas, uma banda sonora apelativa e nostálgica e uma história sólida e cativante, fazem de The Perks of Being a Wallflower uma agradável surpresa.

The Cabin in the Woods

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As críticas na grande maioria favoráveis que The Cabin in The Woods recebeu fizeram com que partisse para este filme com algum entusiasmo. Quem me conhece sabe que gosto bastante deste género de filmes que misturam terror com comédia. A paixão começou com a saga Evil Dead e tem continuado com os mais recentes Shaun of the Dead e Hot Fuzz, de Edgar Wright (que estreia o muito antecipado The World’s End este ano).

Portanto já sabia do que ia à espera. Muito gore, muitas referências a outros filmes e muita brincadeira com as convenções do género. Como Roger Ebert disse, e muito bem, este filme foi construído quase como um puzzle para os fãs do género resolverem. Gostei do exercício de desconstrução, acho que tem momentos divertidos, mas no geral acabei dececionado. Foi uma brincadeira que não correu da melhor forma.

Vampyr

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Assistir a Vampyr é uma experiência que quase nos eleva a um estado alucinogénico. A sua natureza onírica leva-nos, com um ritmo bastante lento, numa viagem surreal por territórios que apenas visitamos nos nossos piores pesadelos. Aliás, a estrutura narrativa irracional aponta exatamente nesse sentido, estamos a presenciar algo que deambula entre o real e o oculto.

Este ambiente sobrenatural é explorado de forma exemplar ao longo de toda a carreira de Carl Theodor Dreyer, um realizador que tem uma relação muito especial com a religião e o profano, como podemos constatar em La Passion de Jeanne d’Arc, uma das maiores obras-primas da Sétima Arte e o filme que precedeu Vampyr.

Sanjuro

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Uma das coisas que mais aprecio em Akira Kurosawa é a sua quase obsessão pela autenticidade de cenários, figurinos e adereços. A forma cuidada como trata todos os aspetos da mise-en-scéne tornam as histórias que conta muito mais verosímeis. Este facto aplica-se principalmente aos seus Jidaigeki, os seus filmes de época de Samurais.

Mas não é só de mise-en-scéne que vive o cinema de Kurosawa. Sanjuro, a sequela de Yojimbo, pode não ser a nata da nata do cinema do realizador japonês, mas é um excelente exemplo de que mesmo a fazer sequelas mais leves e escapistas, este consegue elevar a fasquia muito acima da média. As batalhas soberbamente encenadas, o uso excecional de composições panorâmicas e a habitual excelente performance de Toshiro Mifune fazem deste Sanjuro uma das melhores sequelas de sempre.

I Walked with a Zombie

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Entrei pela primeira vez no mundo de Jacques Tourneur com o seu extraordinário e esteticamente exemplar Out of The Past, um dos meus film-noir preferidos. Uma das coisas que mais me agradou em Out of The Past foi a sua atmosfera negra e narrativa circinal. Depois, vi Cat People e Night of the Demon, dois série B de terror, e percebi a origem desta cinematografia tão manifestamente negra.

I Walked with a Zombie é a confirmação de que estamos perante um autor. Tourneur tem um estilo muito próprio, repleto de mistério, cantos escuros e uma aura que paira no ar e nos deixa petrificados de tensão. Com poucos recursos e em pouco tempo (os seus filmes são quase sempre rápidos e incisivos) consegue catapultar-nos para um mundo sinistro e alegórico onde crenças antigas renascem e tomam o presente de assalto.

The African Queen

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É com grande prazer que se assiste a The African Queen, um agradável, divertido e envolvente filme, repleto de ação, aventura e romance. A química entre Bogart e Hepburn é extraordinária, o que é mais de meio caminho andado para o sucesso. Com atores deste calibre tudo fica mais fácil e temos aqui a prova que a idade é apenas um pormenor quando estamos perante pessoas talentosas como o par em questão.

Uma nota também para a realização de John Huston. Filmar no Congo e no Uganda não deve ter sido e tarefa fácil e Huston foi um dos pioneiros ao filmar em localizações tão selvagens como estas, numa altura em que quase tudo o que fosse mais exótico era filmado em estúdio. Esta façanha acabou por inspirar Clint Eastwood a filmar White Hunter Black Heart, em 1990, uma homenagem a este clássico do cinema e ao seu realizador.

Lincoln

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O cinema não é algo matemático, mas se fosse dada uma nota a cada desempenho e se fizesse a média dessas notas para cada ator, então Daniel Day-Lewis era bem capaz de ser o melhor ator vivo do momento.

É incrível como num filme com o selo de qualidade de Spielberg, em que tudo é feito de forma minuciosa, prestando atenção ao mais infimo detalhe, um ator consiga destacar-se tanto de tudo o resto.

A abordagem de Spielberg à história, dando claramente mais atenção ao homem dos que aos eventos, ajuda mas julgo que o génio de Day-Lewis é o principal responsável. Agora resta-nos esperar para ver quando nos presenteia com outro desempenho monumental. É que se é verdade que a qualidade é o seu forte, a quantidade já é outra conversa completamente diferente.

Capturing the Friedmans

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Sobre Capturing The Friedmans tenho a dizer que é um excelente exemplar de cinema documental, construído com a independência de carácter imprescindível a um tema tão delicado como a pedofilia. Aliás, esta imparcialidade é ainda mais notória quando somos confrontados com a sua total inexistência na investigação policial do caso em questão.

É também interessante por ser extremamente ambíguo  Uma hora e meia depois de começar ainda estamos sem qualquer tipo de certeza. Existem evidências, existem depoimentos (muitos deles comprovadamente falsos) e até declarações de culpa, mas mesmo assim há qualquer coisa que não bate certo.

Podemos ficar sem saber a verdade sobre os Friedmans, mas o voyeurismo a que fomos sujeitos durante o filme não deixa dúvidas sobre a sua disfuncionalidade.