Keep Walking (5) – Geocaching no Tejo

Ar Livre, Caminhadas, Geocaching
4

Rio Tejo

1

1st Find

2

Cais de Sodré

3

Ribeira das Naus

5

Rearviewmirror

6

Jardim do Tabaco

7

Fado em Alfama

8

Alfama

9

Portas do Sol

Diz-se que a melhor forma de conhecer uma cidade é a andar. E, geralmente, é o que fazemos quando estamos numa cidade que visitamos pela primeira vez. Então porque não fazê-lo na nossa própria cidade?

Depois de um dia cansativo de trabalho o sofá chama por nós, mas por vezes é preciso contrariar estes sentimentos sedentários e sair de casa. Foi o que fiz ontem ao entardecer.

O caminho estava mais ou menos traçado pois tinha como objectivo fazer meia dúzia de caches.

No que diz respeito ao geocaching foi uma excelente colheita pois foram encontradas dez caches. Mas o que mais gostei foi sentir uma cidade pulsante de vida, de cor, de cheiros e, porque não dizê-lo, de alegria.

Foram 9km que me deixaram com água na boca. Sem dúvida, uma experiência a repetir.

Map

Data

 

As Caches:

1. CAIS DO SODRÉ / River; Nightlife

2. Cais do Sodré

3. Canto e Castro PRP5

4. Ribeira das Naus

5. Terreiro do Paço

6. Jardim do Tabaco

7. Lisboa – View of the Old Town Hill

8. Sardines/Sardinhas

9. Igreja de Santo Estêvão

10. Miradouro das Portas do Sol e de Santa Luzia 

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Le salaire de la peur

Cinema, Sétima Arte

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Parti para Le salaire de la peur com bastante curiosidade. Em todo lado que lia algo sobre Henri-Georges Clouzot, o seu realizador, surgia sempre o nome de Hitchock à baila. Aparentemente, e apesar de serem contemporâneos, Clouzot foi uma influência para Hitchcok. O seu Diabolique toca, segundo o que dizem, pois ainda não o vi, em muitos dos temas abordados pelo mestre Britânico. Também se diz que são estilisticamente muito semelhantes. Em Le salaire de la peur consigo perceber, em parte, porquê. O suspense era o ingrediente principal dos filmes servidos por Hitchcock, e se nada mais ligar estes realizadores, pelo menos aqui  parecem-me igualmente geniais.

Todavia, nunca num filme de Hitchcock vi a temática principal deste filme abordada, nem um comentário político tão acentuado. O talento cinematográfico de Clouzot é visível ao longo de todo o filme. A introdução, de aproximadamente 45 minutos, precede um sofrimento progressivo das personagens, um pathos de uma cerca de uma hora que certamente conduzirá ao clímax. Uma hora de tensão constante em que cada movimento, cada mudança de cena nos faz esperar uma explosão de ação.

Mas o segredo, e razão que eleva este filme a outro nível, está no desenvolvimento feito na primeira parte. Aqui somos confrontados com a pobreza extrema, com homens que estão presos a um destino que não queriam, sem força, sem dinheiro, sem dignidade para saírem deste purgatório. São produtos de um sistema que usa os pobres para fazer o trabalho indesejável e perigoso, mas que depois colhe e aproveita os frutos bem longe desta classe operária.

Para acabar, cito o crítico Dennis Schwartz sobre este filme: “Anti-capitalist exciting existential adventure film”. Não poderia dizer melhor que isto.

Keep Walking (4) – Geocaching Matinal

Ar Livre, Caminhadas, Geocaching
1

Travessa Barbosa

2

O Grande Arco das Amoreiras

3

Jardim das Amoreiras

4

Jardim da Estrela

Nada melhor para começar uma amena manhã de Domingo, do que caminhar uns quilómetros à procura de caches.
Apesar do calor, foi um passeio agradável passando pela Amoreiras, Estrela e voltanto a Campo de Ourique.
Passou num estante e as caches encontradas foram interessantes. Mais uma etapa concluída.

Map

Data

As Caches:

1. Travessa Barbosa

2. The Great Arch Amoreiras

3. 1500 Lisboa

4. Antiga Escola Machado de Castro

DNF’s

Mãe d’Água

Nos passos de Pessoa

Keep Walking (3) – Geocaching no Abano

Ar Livre, Caminhadas, Geocaching, Praias
1

Praia do Abano

2

A 1ª do dia

3

Tons de azul

4

Guincho à vista

Folgar durante a semana é excelente. É uma oportunidade de frequentar locais que geralmente estão apinhados de gente, mas que por ser dia de semana estão ao Deus dará.

Depois de uma manhã na praia do Abano, aproveitamos o bom tempo, e o vento que se levantou, tornando mais suportável  o calor que se fazia sentir, e fomos geocachar pela costa.

Foi um dia de Geocaching produtivo, com cinco caches encontradas em cinco procuradas, sendo que três delas foram Earth Caches.

Os quase três quilómetros de caminhada serviram para demonstrar o que acredito há muito tempo, vivemos num país  soberbo, com paisagens de tirar o folego. E, muitas vezes, estes locais espetaculares estão mesmo à nossa frente, embora teimemos em não dar um passo na sua direção para gozar de todo o seu esplendor.

mapData

As caches:

1. Forte do Guincho [Cascais] – GC23CCK

2. NOT IGNEOUS – DP/EC29 – GC1GJ6E

3. O Mar Rochoso – GC2665V

4. “X” – DP/EC31 – GC1H6GX

5. Complex Geometry – DP/EC28 – GC1GDKY

No

Cinema, Sétima Arte

no

Sinopse: Em 1988, devido à pressão internacional, o ditador militar chileno Augusto Pinochet foi forçado a convocar um referendo sobre a sua presidência.O país votaria SIM ou NÃO sobre se Pinochet deveria ou não governar por mais oito anos.
Os líderes da oposição, juntos pelo não, persuadiram um jovem e impertinente publicitário, René Saavedra, a liderar a sua campanha. Contra todas as expectativas, com escassos recursos e sob o escrutínio dos esbirros do déspota, Saavedra e a sua equipa criaram um plano audacioso para ganhar a eleição e libertar o Chile.

Sim e Não. Parecem respostas simples a uma questão fechada, mas cada uma destas possíveis respostas representa uma diferença abismal para o futuro de toda a população de um país. O país em questão é o Chile, e questão é sobre se as pessoas do Chile querem a continuação do ditador Augusto Pinochet ou a tão desejada mudança.

O referendo é feito devido à pressão externa internacional e a resposta deveria ser imediata. Um Não. Mas cedo se verifica que, num país onde o medo impera e a liberdade é praticamente inexistente, o Sim tem muito mais probabilidades de vencer. O sistema é controlado pelo poder instalado, que tudo fará para não o perder.

É neste ponto que entra René Saavedra, o excelente Gael García Bernal, um publicitário que é contratado pela campanha do Não para a tornar mais apelativa ao público. Saavedra estudou no estrangeiro e traz para a campanha todos os truques aprendidos em países onde a publicidade é uma “ciência” dominante e o motor da economia consumista. Estes truques não caiem bem aos defensores do Não, que querem mostrar ao país os terrores da ditadura, mas logo se mostram eficazes.

No é um filme muito interessante por razões diversas. Primeiro mostra-nos uma das partes mais significativas da história de um país, e fá-lo de forma rigorosa e genuína. Depois pela abordagem que faz à publicidade. É curioso ver a propaganda a funcionar, a forma como a imagem certa no momento certo muda (manipula!) completamente a opinião das pessoas. Podia ser novidade no Chile daquela altura, mas antes, e principalmente depois, a publicidade fundiu-se com a política e hoje em dia esta não consegue viver sem ela. Um político é nada mais, nada menos do que um publicitário de demagogias.

End of Watch

Cinema, Sétima Arte

endofwatch

David Ayer tem vindo a especializar-se num género de filme onde é difícil criar algo de novo. End of Watch é o terceiro policial do realizador, que antes já tinha escrito outros quatro (sendo Training Day o mais conhecido e louvado).

À medida que vai construindo a sua filmografia, é cada vez mais notório que possui um estilo muito próprio de desenvolver as suas narrativas e de filmar a ação, que geralmente se desenrola a um ritmo frenético e violento.

E End of Watch é, até agora, onde o seu estilo está mais apurado, conseguindo aqui criar uma obra ardilosa, visceral e crua, que retrata o mundo da polícia nos Estados Unidos como há muito não se via. O equilíbrio obtido entre a violência da ação e a sensibilidade das personagens é um dos melhores trunfos de um filme que, sem ser totalmente original, consegue agitar as águas de um charco que há muito se converteu num pântano parado e bafiento.

Waste Land

Cinema, Sétima Arte

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Waste Land é um filme extraordinário e aborda uma questão não menos extraordinária. Vivemos num mundo consumista. Não é novidade que muitos de nós, neste pequeno planeta, desejamos, compramos e desperdiçamos muito mais do que do que verdadeiramente precisamos. Este consumo desenfreado gera, como é óbvio, esbanjamento que acaba quase sempre em sítios como a lixeira retratada no filme.

Mas o ser humano tem a enorme capacidade de se reinventar, e onde existe uma oportunidade, surge alguém a aproveitá-la. É incrível que num sítio como este, em que as condições de higiene são inexistentes, tenha surgido este nicho de trabalho que foi ocupado pelos catadores, coletores de resíduos recicláveis, que ganham o dia-a-dia a vender o que apanham nos restos dos outros.

É um trabalho sujo, mas é um trabalho honesto e necessário. E é aqui que entra Vik Muniz, um artista plástico brasileiro, sediado em Nova Iorque. Muniz resolve passar dois anos a trabalhar com as pessoas do Jardim Gramacho (um dos maiores aterros do mundo), transformando o lixo que apanham em obras de arte. É incrível ver a transmutação a ocorrer perante os nossos olhos, de perto é lixo, ao longe é arte. Mas mais incrível ainda é ver o valor que as pessoas que lá trabalham têm, as coisas em que acreditam, a dignidade que demonstram perante tanta adversidade e a mudança que esta experiência representa nas suas vidas.

Waste Land teria valido a pena só pelo trabalho que fez no Jardim Gramacho, mas acaba por revelar-se uma excelente forma de mostrar ao mundo que nem sempre interessa o local onde as pessoas trabalham, interessa muito mais a sua integridade, valor e perseverança.