Monsters, Inc.

Cinema, Sétima Arte

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Sinopse: O assustador nº1 Sulley e o seu divertido assistente Mike são dois monstros que trabalham na Monstros e Cª, a maior fábrica de sustos de Monstropolis. A principal fonte de energia do seu mundo provém dos gritos das crianças assustadas pelos monstros que saem dos seus armários. Além disso, existe a crença que as crianças são perigosas e tóxicas pelo que qualquer contacto com elas está estritamente proibido. Assim, quando Boo, uma pequena menina, acidentalmente segue Sulley para o seu mundo, este vê a sua carreira e a sua própria vida postas em perigo…

Monster, Inc. era o único filme que me faltava ver, dos  ditos notáveis da Pixar. Esta empresa de animação digital deve ser dos estúdios que melhor percentagem de bons filmes tem. É incrível como conseguiram manter a fasquia tão elevada desde que começaram a fazer longas-metragens de animação, em 1995. À data em que o vi, só me faltavam três para concluir a filmografia do estúdio e, devido à qualidade supracitada, as expetativas estavam em alta.

E a verdade é que é impossível ficar indiferente a esta pequena, grande pérola de animação. Divertido do primeiro ao último minuto, burlesco como poucos e bastante arrojado do ponto de vista visual (uma das imagens de marca do estúdio), Monster, Inc. é o perfeito exemplo de filme de animação que agrada a miúdos e graúdos.  É, sem dúvida, um dos obrigatórios da Pixar e do cinema de animação em geral.

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The Impossible

Cinema, Sétima Arte

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Sinopse: Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGregor) e os seus três filhos viajam até à Tailândia para passarem as suas férias de Natal, esperando encontrar alguns dias de descanso num paraíso tropical, quando o seu mundo é, de repente, virado do avesso. Sem aviso prévio, um enorme tremor de terra no oceano despoleta um gigantesco tsunami… uma das maiores catástrofes naturais de que há registo. Esta é a sua história.

Vamos diretos ao assunto. The Impossible é um daqueles filmes que tem uma agenda clara – jogar com os sentimentos do expetador, das formas mais exploradas e batidas no cinema, e, no processo, arrancar-lhe o maior número de lágrimas possível.

Os truques estão todos lá e são bem usados pelo espanhol J.A. Bayona. A música melodramática, aplicada no momento certo; o “baseado em factos reais”, que acaba sempre por extrapolar toda e qualquer cena; o pânico causada pela sensação de perda. Enfim, os ingredientes habituais neste tipo de filme.

Dito isto, importa dizer que, mesmo sabendo de todos estes esquemas manipulativos, acabei por cair na esparrela e considero The Impossible um bom esforço de Bayona, que em 2007 me conquistou com o seu fabuloso El orfanato.

The Conversation

Cinema, Sétima Arte

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Sinopse: Harry Caul (Gene Hackman) é um solitário e paranóico especialista em vigilância, que se torna vítima da mesma moderna tecnologia que usa para destruir os outros. Tudo começa com o que aparenta ser um trabalho de rotina, vigiando uma mulher infiel e o seu amante. Mas quando Harry visita o escritório do marido para entregar as fitas incriminatórias que fez do casal, o assistente do seu cliente tenta interceptá-lo. Harry recusa entregar-lhe as gravações e percebe subitamente que pode ter apanhado uma conversa acerca de algo que é muito mais importante que uma aventura extra conjugal. Pt Gate

Francis Ford Coppola fez quatro filmes nos anos 70. Os dois primeiros The Godfather, Apocalypse Now e The Conversation. Podia não ter feito outros filmes antes ou depois e, sem dúvida absolutamente alguma, era mais que suficiente para escrever o seu nome na história do cinema. Esta foi a sua década dourada. Poucos realizadores podem afirmar que fizeram um poker como o de Coppola. Esta foi a ideia com que fiquei quando acabei de ver The Conversation. Ser comparado com as restantes obras-primas de Coppola diz tudo sobre a sua qualidade. Conheço a sua filmografia, estava com expectativas altas, mas confesso que foram superadas completamente.

O argumento, a realização, o ritmo da narrativa, o som, as interpretações magníficas, tudo está no sítio certo, tudo se conjuga para fazer uma obra brilhante, onde Gene Hackman entrega uma das melhores performances da sua vida no papel de um meticuloso, e gradualmente mais paranóico, especialista em vigilância.

PS: Quem viu o também brilhante The Lives of Others (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck, e gostou, vai com certeza apreciar este filme, até porque, ao que parece, foi nele que foi buscar inspiração. O crítico Carrie Rickey escreve o seguinte sobre eles: “Both movies are about the morality of surveillance and the questionable reliability of information harvested – and how listeners can be duped and/or can misinterpret raw data. I would recommend these films to anyone interested in great movies that touch on the issues raised by L’Affaire Snowden.”

Transformers: Revenge of the Fallen

Cinema, Sétima Arte

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Sinopse: Quando o universitário Sam Witwicky (Shia LaBeouf) descobre a verdade acerca das origens dos Transformers, tem de aceitar o seu destino e juntar-se a Optimus Prime e Bumblebee na batalha épica contra os Decepticons, que voltaram mais fortes do que nunca e com um plano para destruir o nosso mundo.

Por vezes acho que tenho ímpetos masoquistas em relação ao cinema. Tenho uma lista de (bons) filmes a ver do tamanho do mundo e ponho-me a ver os Transformers. O resultado foi: as duas horas e meia menos interessantes dos últimos tempos. E é por aí que vou começar a cascar nesta pornografia metálica de Michael Bay. DUAS HORAS E MEIA? Para quê? Para contar que história? Não há nada ali diferente do que foi feito no primeiro filme (que por si só já tinha gasto tempo a mais).

Não é que não goste de no-brainers, mas o mínimo exigido a um filme deste género é que seja divertido e Tranformers: Revenge of the Fallen é tão divertido como ir ao dentista…e não levar anestesia.

Nos primeiros trinta minutos, a criança que há em nós diverte-se com os brinquedos que ganham vida e se transformam de carros em robots, mas passados trinta minutos é necessário algo mais para captar a atenção de um adulto (não, a Megan Fox não chega!) e é aí que Bay falha SEMPRE.

The Tall T

Cinema, Sétima Arte

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Sinopse: Pat Brennan (Randolph Scott) é um antigo cowboy que decidiu estabelecer-se por conta própria num rancho. Aposta com o seu antigo chefe a possibilidade de ganhar um touro, se conseguir montar o eleito. Perde a aposta e perde o cavalo e, no caminho de regresso ao rancho, a pé, encontra a diligência conduzida pelo seu amigo Ed (Arthur Hunnicutt), que transporta o recente e pouco convincente casal formado por Doretta (Maureen O’Sullivan), filha de um rico fazendeiro, e o antipático e elegante Willard (John Hubbard). Pelo caminho, um grupo de bandidos atacará a diligência.

Tudo neste filme me faz regressar a uma parte da minha infância. Desde pequeno que gosto de aventuras, tanto no cinema como na vida. Numa quente tarde de verão, não tinha eu mais de dez anos, resolvi sair de casa em busca da sorte. Sabia que uma casa, onde o meu avô viveu largos anos, estava abandonada e tinha ouvido os meus pais dizerem que o meu avô tinha lá deixado quase todos os seus pertences. Entrei nessa casa e encontrei um poeirento baú repleto de livrinhos, que depois descobri serem do meu tio. Alguns eram de ficção científica, mas a grande maioria eram livros de bolso ou bandas-desenhadas de cowboys. Andei anos e anos a fio a lê-los. As histórias eram pequenas mas exerciam um enorme fascínio mim. A descoberta do faroeste com as suas montanhas misteriosas e planícies inóspitas, os índios hostis, os cowboys heroicos, os duelos e os enredos sempre com uma lição de moral, sempre com o bem a vencer sobre o mal.

Talvez por isso, e posteriormente pelas dezenas de filmes vistos com esse mesmo tio, tenha desenvolvido o meu gosto por Westerns, sejam eles clássicos americanos ou subversões italianas.

Mas nenhum Western me faz viajar no tempo como os Westerns de Budd Boetticher, e este The Tall T não é exceção. A cor, a história, a moral e Randolph Scott, sempre integro e irrepreensível, são ingredientes milagrosos para um filme simples mas executado na perfeição. Obrigado Boetticher por mais uma viagem à minha infância.

Dredd

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Sinopse:Na América do futuro, as ruas selvagens de Mega City One representam o que de mais parecido existe com civilização. O Juíz Dredd (Karl Urban) é o mais temido entre a elite dos Juízes de Rua, homens com poder para julgar, condenar e executar criminosos.
Para Dredd, chegou a hora de enfrentar mais um desafio – livrar a cidade de uma nova droga a que chamam “Slo-Mo” e permite aos seus utilizadores sentir a realidade a uma fração da velocidade normal. Ao mesmo tempo, é-lhe pedido que treine e avalie Cassandra Anderson (Olivia Thirlby), uma nova agente que, devido a uma mutação genética, possui capacidades psíquicas.
Um terrível crime chama-os a um bairro onde poucos raramente se aventuram – um edifício abandonado com 200 andares, controlado por uma antiga prostituta transfomada em líder de um cartel de droga que dá pelo nome de Ma-Ma (Lena Headey).

É impossível partir para este Dredd sem o outro em mente, aquele infeliz filme dos anos 90 que contava com Sylvester Stallone no principal papel e nos ficou na memória pelas piores razões possíveis.

Para além desta triste recordação, encontrei outro condicionante – vi The Raid pouco temposantes. Quando li a sinopse pensei: outro filme em que o protagonista fica encerrado num edifício repleto do pior tipo de criminosos? Not again…

Mas, contra todas as perspetivas, Dredd revelou-se uma surpresa agradável. Não vão é à procura de um filme profundo, ou sério, pois se forem, ficarão dececionados. Mas se o que pretendem é boa ação, cenas altamente estilizadas e violentas, um bom ritmo e, principalmente, diversão, então é capaz de lhe acharem piada. E para isso muito contribui a realização arriscada de Pete Travis, que já tinha demonstrado o seu gosto pela edição arrojada em Vantage Point, e a interpretação Eastwoodiana de Karl Urban.

The Raid: Redemption

Cinema, Sétima Arte

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Sinopse: Em Jacarta, na Indonésia, o tenente Wahyu organiza a invasão a um prédio de apartamentos, onde fica a residência segura do poderoso e cruel traficante Tama e da sua guangue. A equipa da SWAT invade o edifício, mas um vigia vê e avisa os bandidos, e as forças policiais ficam encurraladas no sétimo andar. Os homens sob o comando do tenente Wahyu descobrem que este não informou os seus superiores sobre esta operação. Devido a tais circunstâncias, a equipa da SWAT tem que lutar com pouca munição, contra bandidos armados e perigosos.

Quem se lembra daquela cena do Ong-Bak em que o herói subia as escadas de um edifício enquanto ia mostrando os seus dotes artísticos marciais, enchendo de porrada tudo o que mexia? A cena estava muito bem conseguida do ponto de vista da encenação das artes marciais e era um bom plano-sequência e fez bastante sucesso por isso. Alguém na Indonésia deve ter visto esta cena e pensado: e que tal esticar isto tudo e fazer um filme? Mas sem armas não tem piada, por isso em vez de ser apenas um gajo a subir as escadas é uma equipa da polícia de intervenção. E assim deve ter nascido The Raid.

Brincadeiras à parte, o filme é um injeção de adrenalina (ou será testosterona?) no coração. São 101 minutos e não sei quantos andares de tiros, mortes bastante gráficas e litros e litros de sangue a correr. Tudo isto decorre a um ritmo frenético, mas com um argumento que parece ter sido escrito por um miúdo de 15 anos, viciado em First-person shooters.

Bom para quem quer pôr o cérebro em stand-by e gosta de ultraviolência gratuita. Não é o meu género de filmes favorito, mas no dia em o que vi soube que nem ginjas.

Devendra Banhart | CCB

Concertos, Música

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Este ano não tem sido prolífico no que diz respeito a idas a concertos. Não fui a festivais de verão e há meses que não punha os pés num espetáculo musical. Mas, como se costuma dizer, têm sido poucos mas bons.

Devendra Banhart era um desejo de há muito tempo e foi concretizado ontem à noite, num espetáculo que cumpriu as expectativas e que só não as excedeu devido à sua curta duração.

A Setlist foi um equilíbrio entre grandes êxitos e o novo Álbum “Mala”, que gosto bastante, mas posso dizer que fiquei com água na boca pois houve muita coisa que ficou de fora. E, falando em água na boca, que encore foi aquele? Voltam para tocar “Carmensita” e vão-se embora?

Valeu também a pena a abertura do concerto, com o brasileiro Rodrigo Amarante, que fez uma excelente performance e envolveu bastante o público.