Targets

Cinema, Sétima Arte

vlcsnap-00011Não obstante o facto de ser um filme que está longe de ser perfeito, com Targets, Peter Bogdanovich captou de forma inteligente a mudança temática e estética que se fazia sentir no cinema americano dos anos 60. Ao seguir duas linhas de narração que parecem apenas cruzar-se por fruto do acaso, Bogdanovich mostra-nos o choque entre dois mundos. Por um lado, temos a história de Byron Olrok, uma velha estrela de cinema de terror, interpretado por Boris Karloff, num papel que roça o autobiográfico. Por outro, temos Bobby Thompson, um jovem alienado que, apesar de casado, ainda vive com os pais, facto que o parece deixar bastante perturbado. Thompson parece o típico “nice guy” americano, mas cedo constatamos que se sente alienado, o que juntamente com a sua obsessão por armas acaba por levar a um comportamento sociopático.

Olrok representa aqui o antigo terror, um mundo de monstros onde o bem e mal são facilmente distinguíveis. E este mundo entra em rota de colisão com o novo tipo de terror que emergia por todo o lado nos EUA, um terror que podia surgir de onde e de quem menos se espera. Um terror sociopata e, por vezes, totalmente aleatório.

Estamos assim perante um filme que, apesar do seu baixo orçamento, do pouco tempo em que foi filmado e de não ter passado de um desafio lançado por Roger Corman a Bogdanovic (Karloff devia dois dias de trabalho a Corman e este decidiu “emprestá-lo”), toca numa ferida há muito aberta na sociedade Norte-americana: de onde e porquê surgem estes sociopatas?

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