Blast of Silence

Cinema, Sétima Arte

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Quem é Allen Baron? Foi a pergunta que me surgiu quando descobri Blast of Silence.
Como é possível nunca ter ouvido falar de Allen Baron? Foi a pergunta que fiz depois de o ter visto.

Baron é o argumentista, realizador e protagonista deste magnifico, e não muito conhecido, film-noir.  A história é simples e contada de uma forma bastante direta. Temos um assassino contratado que tem um trabalho para fazer em Nova York, durante o Natal. Frank Bono é um homem solitário, misantropo e focado apenas na sua profissão. Tem aqui apenas mais um contrato e pensa executá-lo de forma metódica e  rápida, como sempre o fez. Mas desta vez as coisas serão diferentes. A quadra natalícia e o reencontro com antigos conhecidos despoletam o que há muito tempo anda a recalcar: os seus sentimentos. E os sentimentos podem ser uma arma perigosa numa profissão onde costumam ser sempre um obstáculo.

Blast of Silence não tem uma história extraordinária ou intérpretes excecionais e a narração constante do que vai acontecendo até pode ser considera excessiva, mas arranca de uma forma espetacular, como há muito não via um filme arrancar, e segue a partir daí com um estilo muito próprio, que pode ser considerado noir, mas que demonstra uma naturalidade muito própria.

Allen Baron pode não ter feito mais nada de relevante no cinema (dedicou-se mais ao pequeno ecrã com séries como Charlie’s Angels e The Love Boat!!) mas a sua incursão pelo cinema valeu por este filme. Sem dúvida uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos.

Pacific Rim

Cinema, Sétima Arte

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É curioso examinar a filmografia de Guillermo del Toro, o realizador mexicano, conhecido pela sua paixão por monstros e fantasia. Até hoje, todos os seus filmes habitaram território fantástico e, geralmente, bastante negro. A alternância entre grandes produções americanas e filmes de menor orçamento, em espanhol, tem sido outra das suas imagens de marca, sendo que é nos filmes na sua língua materna que demonstra maior autenticidade e maestria. A comprovar este facto temos El Espinazo del Diablo e El Laberinto del Fauno, excelentes exemplos do que de melhor se pode esperar deste género.

Em Pacific Rim, del Toro volta à carga, cinco anos depois Hellboy II: The Golden Army, assumindo novamente a cadeira de realizador, com um orçamento que foi o maior a que teve acesso. A liberdade orçamental deu assim espaço para produzir uma megalomania repleta de efeitos especiais e cenas de ação inacreditáveis. A nível visual estamos perante algo extraordinário que nos deixa boquiabertos com o avanço que o CGI teve nos últimos anos. Mas há algo que deixa um tanto ou quanto a desejar e que se afasta do âmago do trabalho de del Toro. O mexicano é um contador de histórias exímio, mas parece que com o crescente acesso ao dinheiro descura cada vez mais o poder de uma boa narrativa. Não é tanto que Pacific Rim tenha uma má história (está a anos luz de Transformers nesse campo, para melhor), mas sente-se falta de uma narrativa mais trabalhada e forte, como tão bem o realizador nos tem habituado noutras obras suas.

Anvil: The Story of Anvil

Cinema, Sétima Arte

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É curioso! Tenho em lista de espera uma série de documentários sobre bandas de que gosto e acabei por ver um sobre uma banda que nunca tinha ouvido falar. Não sei bem o que me levou a ver Anvil: The Story of Anvil. Talvez tenha sido o trailer, ou as boas críticas, mas suspeito que seja por gostar de histórias de pessoas que têm uma enorme capacidade de seguir em frente, independentemente dos obstáculos que vão surgindo. E é isso que trata este filme. Não é um daqueles documentários a demonstrar o quão grandiosas as pessoas são ou sobre o sucesso enorme que obtiveram ao longo da sua carreira, é sobre a amizade entre dois homens e o que fizeram e fazem para perseguir o seu sonho.

Foi interessante também do ponto de vista da descoberta. Como disse, não fazia ideia da existência desta banda e muito menos da influência que tiveram em bandas como Metallica, Motörhead ou Anthrax. O filme começa a mostrar-nos essa mesma influência e os “15 minutos” de fama dos Anvil e, de repente, passa meio século e encontramos o vocalista/guitarrista e o baterista com quase 50 anos. São dois homens desgastados, com família, responsabilidades e empregos que não gostam, mas o bichinho da banda continua lá e continuam a dar o que têm e não têm para fazerem o que mais prazer lhes dá – a música.

The World’s End

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Fiz uma analogia entre filmes e bifanas quando comentei o último filme que tinha visto. Agora, continuo a senda alimentar com The World’s End, o último filme da trilogia do Cornetto.

Depois dos divertidos e inteligentes Shaun of the Dead e Hot Fuzz, Edgar Wright e Simon Pegg continuam a entreter-nos com as suas incursões cómicas pelo mundo do terror.

Com estes três filmes, esta dupla fecha o seu tributo ao terror, abordando três temas que são bastante comuns neste género – Zombies, Psicopatas e o Fim do Mundo. Mas o que diferencia estas obras de todas as outras é o amor e a diversão com que são feitos. Vê-se claramente que estamos perante pessoas que adoram o que fazem e que veem no seu trabalho uma oportunidade de extravasar toda a sua geekiness e homenagear tudo o que admiram. Como Edgar Writght disse uma vez ao falar da sua série Spaced:” It’s a show by geeks, for geeks.” E isto resume toda esta trilogia também.

Relativamente a The World’s End, acho-o o mais fraco dos três mas mesmo assim diverti-me imenso com as referências e o humor presente do primeiro ao último minuto. A trilogia do Cornettos acabou mas algo me diz que Wright e Pegg não se vão ficar por aqui na sua colaboração.